Um estudo
da Universidade do Estado de Michigan está buscando entender a relação de vício
em redes sociais e a consequência para a saúde humana.
O trabalho encontrou uma
proximidade muito grande em comportamento de pessoas com uso excessivo de redes
sociais ao viciados em drogas.
Os cientistas criaram um mecanismo de testes
com grupos de pessoas que utilizam redes sociais de forma auto-declaradamente
abusivas (chamados de SNS, pela sigla em inglês) e outro de controle. Assim,
perceberam que as pessoas de alta utilização de redes sociais tiveram mais
dificuldades em terminar o problema.
No total, foram 71 participantes,
a maioria mulheres (44) entre 18 e 25 anos que fizeram um teste chamado de Iowa
Gambling Task. Conforme explica Daniela Di Giorgio Schneider, em trabalho
publicado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, este é um instrumento
voltado a entender tomadas de decisão:
“Esse instrumento contempla uma situação de tomada de decisão
sob incerteza, que envolve escolhas monetárias, permitindo classificar o
comportamento de decisão do indivíduo em termos de aversão ou busca pelo risco.
A tarefa envolve escolhas de uma carta, ao longo de 100 jogadas (cinco blocos
de vinte jogadas cada), de um dentre quatro baralhos. Cada um desses trabalhos
inclui uma longa série de ganhos e perdas. A partir de um processo de
aprendizagem, os participantes criam padrões de probabilidade e inferem quais
baralhos são vantajosos e quais não o são”, explica no trabalho. No caso do
trabalho americano, o grupo usou uma versão digital do teste"
Divididos em grupos, os pesquisadores puderam
avaliar não só as decisões, mas ainda definir categorizações relacionadas a
depressão, ansiedade, dificuldades sob pressão e outros ambientes.
Com isso, os pesquisadores perceberam que o
grupo SNS mostrou mais dificuldade em tomar decisões sob pressão que o
controle. Ainda, o grupo compara o comportamento do grupo SNS com o de pessoas
que abusam de drogas.
“Levando isso em consideração, nossa descoberta atual, que
demonstra uma semelhança comportamental entre uso excessivo de SNS [redes
sociais] e comportamento de uso e vício em substâncias, podem influenciar as
crenças e práticas de formuladores de políticas, terapeutas e líderes do setor
de tecnologia. Nossa pesquisa fornece um ponto de referência para esses
indivíduos discutirem e abordarem o uso excessivo de SNS em suas respectivas
profissões”, conclui o texto".
Contudo, o trabalho também reconhece as suas
limitações. Primeiro, leva em conta somente usuários do Facebook, não mostrando qual a consequência de
uso em outras redes sociais. Ainda, também recortou o seu escopo e personagens
por um sistema de autodeclaração. Isto é, quando o próprio usuário se entende
como usando demais as redes sociais.
Mesmo assim, a conclusão pode iniciar o debate
de que há uma relação comportamental entre estes abusos.
O trabalho foi publicado no mês passado no
Journal of Behavioral Addictions e está disponível gratuitamente pelo site da Universidade.

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