De acordo com
informações de ex-funcionários do YouTube que
conversaram com a Bloomberg,
a plataforma de vídeos teria desencorajado por muitos anos que seus
funcionários reportassem e denunciassem vídeos tóxicos.
O serviço de streaming teria
inclusive recusado ou ignorado várias sugestões da sua equipe de moderação para
evitar que vídeos conspiratórios, fake news e conteúdo violento fosse parar na
capa do site, também conhecida como “Em Alta”.
Uma das
propostas recusadas pelo YouTube teria sido justamente impedir que vídeos que
“quase violavam os termos de uso” da plataforma chegasse na seção Em Alta mesmo
que tivessem visualizações suficientes para tal. Isso foi sugerido em 2016, com
a intenção era impedir que esses clipes ganhassem ainda mais visibilidade e
gerassem polêmicas na imprensa, como vem acontecendo frequentemente.
Sede
do YouTube nos EUA (fonte: Kim White/Bloomberg)
De acordo com funcionários, a
direção da plataforma recusou essa sugestão porque ela ia contra os objetivos
internos de alcançar a marca de 1 bilhão de visualizações ao dia. “Eu posso
dizer com grande confiança que eles estavam absolutamente errados”, teria dito
um ex-funcionário não identificado à Bloomberg.
Essa mesma
pessoa teria dito que, em janeiro de 2019, a plataforma implementou uma
ferramenta de filtragem automática muito similar a essa recusada, após a
empresa ter sido alvo de várias denuncias em órgãos reguladores e na imprensa
especializada.
"Para que, em casos de
processos judiciais, não houvessem tantas provas de que funcionários tinham
conhecimento de vídeos problemáticos"
A Bloomberg ainda
afirma ter conversado com funcionários de fora da equipe de moderação, os quais
eram ativamente aconselhados a não reportar vídeos tóxicos que encontrassem na
plataforma. Os advogados da empresa teriam sugerido essa política para que, em
casos de processos judiciais, não houvessem tantas provas de que funcionários
tinham conhecimento de vídeos problemáticos circulando no YouTube.
Há ainda uma
terceira acusação, essa referente à CEO do YouTube, Susan Wojcicki.
Aparentemente, ela sempre se recusava a discutir os problemas de moderação de
vídeos tóxicos, dizendo que seu trabalho ali era apenas “liderar a empresa” ou
“fazê-la funcionar”.
As primeiras ações do YouTube
contra vídeos tóxicos teriam começado em 2016, com a moderados manualmente
desmonetizando canais e vídeos considerados infratores das regras de uso.
Contudo, em todo o mundo, apenas 20 pessoas trabalhavam nisso até pouco tempo.
Em 2018, o
YouTube começou a descreditar teorias de conspiração e fake news em sua
plataforma com etiquetas e links para informações verdadeiras. Contudo, os
efeitos dessa luta contra vídeos tóxicos ainda são pouco percebidos pela
comunidade.



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