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terça-feira, 11 de junho de 2019

Entenda como podem ter sido vazadas as conversas entre Moro e Dallagnol


No último domingo (09), o site The Intercept Brasil fez uma série de três reportagens com o conteúdo de conversas entre o ex-juiz federal e atual ministro da Justiça, Sérgio Moro, e o procurador Daltan Dallagnol de quando os dois participavam da força-tarefa da Lava Jato. As mensagens foram vazadas do aplicativo Telegram e a pergunta que fica é: como?

O conteúdo utilizado pela reportagem é só uma parte das informações enviadas para o site por uma pessoa de fora e envolve um chat particular e três grupos, com todos tendo em comum a presença de Dallagnol — possível dono da conta por onde as mensagens foram vazadas.

Telegram

Telegram não criptografa conversas de ponta a ponta por padrão, apenas nos chamados chats secretos — onde os arquivos ficam salvos somente no dispositivo usado e uma vez apagados por uma das partes, a outra não tem mais acesso.

Isso acontece porque o serviço tem como premissa a independência do celular, ou seja, mesmo longe do aparelho é possível ficar conectado ao Telegram no desktop e ter acesso às conversas antigas. Além disso, para fazer login é necessário apenas um código enviado por SMS. 

A teoria mais lógica para o acesso às informações vazadas, até agora, é a de que alguém roubou a linha de celular de Dallagnol, conseguiu o código verificador e teve acesso a todas as conversas gravadas na nuvem — o The Intercept tem arquivos de mensagens trocadas entre 2015 e 2017.

Provavelmente, quem vazou as mensagens precisou apenas fazer um acesso à conta do procurador, baixar os arquivos e enviá-los para o veículo. Isso foi feito há um tempo e não tem ligação com a recente invasão ao celular de Moro

Questionado em sua conta no Twitter se soube do vazamento no Brasil, o Telegram defendeu a tese que o caso, possivelmente, é fruto do uso de malware ou do roubo do código de verificação. 

Most likely, a device taken over via third-party malware – or a hijacked login code for an account that did not use a password. We recommend setting a 2-step verification password for anyone who has reasons to doubt their carriers or governments.

— Telegram Messenger (@telegram) 11 de junho de 2019

"Provavelmente, um dispositivo foi hackeado por meio de um malware — ou uma conta que não usa senha teve o código de login sequestrado", escreveu a companhia. "Nós recomendamos o uso de senhas com verificação em duas etapas para qualquer um que suspeite de sua operadora ou do governo", complementou.

Como se proteger no aplicativo

Para quem usa o serviço, porém, não é preciso alarme. Existem formas de evitar roubo de dados, e a mais segura delas é o uso do chat secreto — apenas um dos participantes da conversa poderia vazar informações neste caso.
Além disso, o aplicativo, assim como o WhatsApp, permite o acionamento da verificação em duas etapas, exigindo uma senha adicional além do código enviado por SMS para acessar a conta.

É possível, também, saber quais dispositivos estão conectados em uma conta do Telegram, basta ir em Configurações > Privacidade e Segurança > Sessões ativas. 

També no Twitter, o Telegram divulgou uma lista com formas de proteger as informações trocadas pelo aplicativo.  "Lembre-se que o seu dispositivo é o guardião supremo dos seus dados, mantenha-o seguro", avisou a conta oficial do mensageiro.

Remember that your device is the ultimate guardian of your data – keep it safe. Here are some futher tips for your account: https://t.co/KY2Rhzy3ei
— Telegram Messenger (@telegram) 11 de junho de 2019

Sobre o caso envolvendo Sergio moro, a Polícia Federal afirmou que vai apurar como as mensagens vazadas foram obtidas, em conjunto com o inquérito para identificar os responsáveis por invadir o celular de Moro recentemente. 

Fonte: Tecnoblog

segunda-feira, 8 de abril de 2019

Entrega de anúncios do Facebook é discriminatória, aponta pesquisa



Ninguém sabe exatamente qual o mecanismo por trás da entrega de anúncios do Facebook, mas é fato que a empresa cria “personas” de seus assinantes a fim de enquadrá-las às necessidades dos anunciantes. A coisa, porém, vai um pouco além e esse sistema de distribuição aparentemente se baseia em preconceitos e estereótipos de raça e gênero.

Quem levanta este ponto é a mais recente pesquisa realizada em conjunto pela Universidade Northeastern, pela Universidade do Sul da Califórnia e Upturn, um grupo que atua na defesa do interesse público — todos dos Estados Unidos.

Os anúncios no Facebook

Para ser publicado no Facebook, um anúncio é organizado em duas partes. A primeira é por conta do anunciante, que define que tipo de gente deseja atingir com a publicação. Este ponto é bem específico e inclui coisas como “homens de mais de 40 anos que andam de bicicleta pela cidade” ou “mulheres entre 20 e 30 anos que ouvem rap”.

A outra parte da publicação de um anúncio fica por conta do próprio Facebook e é um mistério. Ninguém sabe ao certo os critérios levados em conta pela rede social para ampliar o público definido pelos anunciantes e levar os seus anúncios para pessoas que não necessariamente se enquadram nos perfis definidos por eles.

Na nova pesquisa, os cientistas publicaram anúncios sem qualquer tipo de segmentação demográfica, solicitando apenas que eles fossem publicados para pessoas nos Estados Unidos. Com isso, foram usados apenas os critérios do próprio Facebook para escolher a quem tais postagens seriam direcionadas.

Perfis discriminatórios

A descoberta feita pelo estudo foi um tanto estarrecedora. Os cientistas perceberam que o Facebook segmenta anúncios de forma discriminatória, associando tipos de públicos a certos comportamentos de forma estereotipada. Por exemplo, anúncios de venda de imóvel eram exibidos majoritariamente para pessoas brancas, enquanto anúncios de aluguel eram direcionados na sua maioria para pessoas negras.

Além disso, os responsáveis pelo estudo publicaram uma série de anúncios de vaga de empregos cobrindo diferentes áreas de atuação, como enfermagem, zeladoria ou direito. Da mesma forma, os resultados também contaram com uma boa dose de estereótipo e discriminação.

“O Facebook entregou os nossos anúncios de vagas na indústria madeireira para um público composto de 72% de brancos, 90% homens, [já] empregos de caixa de supermercado foram exibidos para um público 85% de mulheres, e vagas em uma empresa de táxi, a uma fatia de 75% de negros, muito embora o público-alvo especificado fosse idêntico para todos os anúncios”, registram os pesquisadores.

Problema antigo

Não é hoje que o Facebook é acusado de ter critérios sociais e raciais discriminatórios para segmentar os seus anúncios. A rede social já foi acusada em 2016 de permitir que anunciantes excluíssem público por etnia por meio do chamado “filtro racial”, ferramenta desativada oficialmente no fim de 2017.

No ano passado, o Facebook foi acusado de discriminação de gênero em anúncios de emprego, algo que começou a ser combatido ainda em agosto de 2018, quando 5 mil categorias de anúncio foram excluídas para “proteger as pessoas da publicidade discriminatória” dentro da rede.

Mais treta

Apesar de assumirem que a pesquisa tem um recorte pequeno, os pesquisadores sugerem que, se esse pequeno volume de anúncios funcionou assim, é provável que se repita também no dia a dia do Facebook. E isso vem à tona em um momento especialmente complicado para a empresa, que está sob o olhar das autoridades dos EUA por supostamente permitir a segmentação discriminatória de anúncios de emprego e moradia.

Em sua defesa, a companhia cita os recentes esforços para o fim dessa orientação baseada em estereótipos de seus anúncios e afirma estar em busca de novas mudanças. Confira na íntegra a nota divulgada à imprensa:

Somos contra discriminação de qualquer forma. Realizamos importantes mudanças em nossas ferramentas de segmentação de publicidade e sabemos que este é apenas um primeiro passo. Estamos estudando nosso sistema de entrega de anúncios e envolvemos líderes do setor, acadêmicos e especialistas em direitos civis no tema – e estamos explorando mais mudanças.

Definitivamente, 2019 deve ser um ano no mínimo tão agitado quanto 2018 nos escritórios de Mark Zuckerberg.


sexta-feira, 5 de abril de 2019

Elon Musk terá que fechar acordo com órgão do governo após tweets polêmicos



Elon Musk continuará com o cargo de CEO da Tesla mesmo após uma série de tweets que acabaram por levar o executivo e fundador da companhia de carros elétricos ao tribunal. No entanto, ele precisará fechar um acordo para dar o caso como encerrado. Nesta quinta-feira (4), Musk foi a uma corte em Nova York após a Comissão de Títulos e Câmbios dos Estados Unidos (SEC) levar o caso para a justiça.

Essa confusão começou após Musk tweetar que teria fundos garantidos para tornar a Tesla uma companhia privada novamente cobrando US$ 420 por ação. A SEC denunciou que o executivo não tinha essa garantia no momento em que fez o anúncio, classificando a frase como “falsa” e “enganosa” e o CEO da empresa como alguém “inconsequente”. Em reação ao tweet, as ações da Tesla subiram 10% naquele dia.

Por causa disso, Musk fez um acordo com a agência federal do governo norte-americano concordando em pagar uma multa, deixar sua posição no conselho da Tesla e aceitar que os tweets com anúncios sobre a empresa fossem revisados por um advogado antes da publicação. No entanto, Musk parece ter descumprido o acordo ao tweetar outra informação enganosa no início deste ano, o que fez a SEC buscar a justiça.

No encontro desta semana, a juíza federal responsável pelo caso acabou dando um prazo de 15 dias para que Musk e SEC cheguem a um acordo sobre o caso. Se isso não acontecer, ela prometeu se pronunciar com uma nova decisão.

Por enquanto, Elon Musk continuará atuando como CEO da companhia.

Fonte: THE VERGE


quinta-feira, 4 de abril de 2019

Microsoft irá investigar casos de corrente de e-mail viral sobre assédio sexual



Microsoft é uma empresa que já inovou a informática em diversos sentidos, e agora está entrando nas manchetes de todos os principais jornais, revistas e sites do mundo por ter sido a primeira a conseguir viralizar uma corrente de e-mails de envio exclusivo pela ethernet da empresa. Infelizmente, o resto desta história está longe de ser tão curioso ou inocente quanto essa introdução.

No total, todos os emails viralizados somam mais de 90 páginas, sendo todos de funcionárias da empresa contando histórias sobre os casos de discriminação e assédio moral e sexual que sofreram no ambiente de trabalho.
A corrente começou no dia 20 de março deste ano, quando uma funcionária da empresa enviou e-mail para todas as mulheres que conhecia na Microsoft perguntando o que era necessário fazer para ser promovida na empresa, já que ela já trabalhava há seis anos no mesmo cargo e nunca viu seu chefe dar a ela qualquer possibilidade de ao menos disputar um cargo melhor. Essa pergunta acabou fazendo com que dezenas de mulheres respondessem à pergunta revelando suas frustrações pessoais com a empresa, e revelando diversas histórias absurdas de assédio que sofreram dentro da companhia, que não fez nada para punir seus abusadores.


O conteúdo desses e-mail foi verificado pela equipe da revista Quartz e confirmado como verdadeiro por duas funcionárias da Microsoft que participaram dessa corrente. Por motivos de segurança, a identidade de todas as pessoas envolvidas não foi revelada pela revista.

Ao ficar sabendo da existência dessa corrente em 29 de março, Kathleen Hogan, chefe do departamento de recursos humanos da Microsoft, fez questão de também deixar sua mensagem na corrente de e-mails, revelando ter achado um absurdo o fato de todas essas histórias terem sido ignoradas por seus funcionários e nenhuma delas ter chegado até ela, e que a partir de agora ela passaria a cuidar pessoalmente deste problema. Na lista de e-mails para quem Hogan enviou essa resposta constam ainda o endereço de Satya Nadella, CEO da Microsoft, e de Brad Smith, responsável por todo o departamento jurídico da empresa.

Segundo foi confirmado por um porta-voz da Microsoft, Hogan agendou uma reunião na manhã desta quinta-feira (4) com cada uma das funcionárias que contaram suas histórias de abuso no e-mail, para que elas pudessem revelar mais detalhes sobre seus abusadores e a empresa tomar medidas para conter esse problema.

Inferno corporativo



Entre as diversas histórias contadas no e-mail, algumas se destacam pelo absurdo das situações. Em uma delas, uma funcionária da Microsoft revela que, em uma viagem de negócios, foi ameaçada de morte por um representante de um dos parceiros comerciais da companhia caso ela não aceitasse fazer sexo com ele. Ela ainda revela que, ao ouvir a ameaça, correu imediatamente para levar o caso ao RH, mas o gerente do setor dela (um homem) falou que tudo não tinha passado de um “flerte inocente”, e que ela deveria superar isso. Já o RH da empresa lavou as mãos, falando que não podia fazer nada sobre o caso, já que não havia provas (ela deveria ter previsto que ia ser ameaçada por um parceiro de negócios e já deixar um gravador ligado, pelo jeito). Como a pessoa não era um funcionário da empresa mas sim de uma parceira da Microsoft, não havia nada que eles poderiam fazer por ela.

Outra funcionária conta que já foi chamada de “p*ta” diversas vezes por seus colegas de trabalho, e contou que isso é uma prática comum em diversos setores da empresa. Esta funcionária revela que, quando ela trabalhava na divisão do Xbox, fez uma reunião com todas as outras mulheres do setor e descobriu que, com exceção de apenas uma, todas as outras eram constantemente chamadas de “p*tas” pelos seus colegas de trabalho do sexo masculino. Ela ainda completa falando que, antes que as pessoas venham justificar esse tipo de comportamento falando que é “coisa da molecada do Xbox”, ela afirmou que já trabalhou também nas divisões de engenharia da Azure e do Windows, e em todos esses locais passou pelo mesmo tipo de situação — o que mostra que isso não é um problema específico de um setor, mas algo que faz parte da cultura de toda a Microsoft.


Uma terceira funcionária da empresa também conta sua história absurda, de quando ela foi convidada a sentar no colo de um de seus colegas de trabalho no meio de uma reunião. Ela conta que o caso aconteceu em uma reunião da Microsoft com um de seus parceiros comerciais, e que o pedido foi feito pela pessoa na frente de diversos executivos do alto escalão da empresa e de supervisores do departamento de RH. Ela fala que, ao ouvir o pedido, ela não só o rejeitou publicamente como ainda lembrou a todos das regras contra assédio sexual que fazem parte da política de trabalho da Microsoft. A pessoa não apenas ignorou tudo aquilo, como ainda falou que não tinha obrigação de ouvir nada do que ela falava, e teve a audácia de pedir novamente para que ela sentasse em seu colo — e ninguém dos que estavam na reunião fez nada para ajudá-la ou condenar o abusador.

Ainda que o fato da corrente de e-mails ter chegado ao conhecimento da imprensa e tornado a história pública possa ter sido um problema para a imagem da companhia, as funcionárias que revelaram suas frustrações na corrente de e-mails acreditam que isso é o melhor que pode ter acontecido para elas, pois isso obrigará a companhia a finalmente tomar uma atitude sobre a cultura de machismo extremo que existe na Microsoft, muitas falando que, pela primeira vez em anos, se sentiram empoderadas em seus locais de trabalho.

Essa não é a primeira vez que a Microsoft vira tema na imprensa por causa de problemas de abuso moral e assédio sexual no ambiente corporativo. Em março de 2018, um grupo de funcionárias e ex-funcionárias moveu uma ação conjunta contra a empresa, pedindo reparação por 238 casos de assédio sexual que ocorreram entre 2010 e 2016 e que foram ignorados pelo RH da empresa.

Fonte: Quartz

quarta-feira, 3 de abril de 2019

YouTube teria desencorajado funcionários a reportarem vídeos tóxicos



De acordo com informações de ex-funcionários do YouTube que conversaram com a Bloomberg, a plataforma de vídeos teria desencorajado por muitos anos que seus funcionários reportassem e denunciassem vídeos tóxicos.

O serviço de streaming teria inclusive recusado ou ignorado várias sugestões da sua equipe de moderação para evitar que vídeos conspiratórios, fake news e conteúdo violento fosse parar na capa do site, também conhecida como “Em Alta”.

Uma das propostas recusadas pelo YouTube teria sido justamente impedir que vídeos que “quase violavam os termos de uso” da plataforma chegasse na seção Em Alta mesmo que tivessem visualizações suficientes para tal. Isso foi sugerido em 2016, com a intenção era impedir que esses clipes ganhassem ainda mais visibilidade e gerassem polêmicas na imprensa, como vem acontecendo frequentemente.

Sede do YouTube nos EUA (fonte: Kim White/Bloomberg)

De acordo com funcionários, a direção da plataforma recusou essa sugestão porque ela ia contra os objetivos internos de alcançar a marca de 1 bilhão de visualizações ao dia. “Eu posso dizer com grande confiança que eles estavam absolutamente errados”, teria dito um ex-funcionário não identificado à Bloomberg.

Essa mesma pessoa teria dito que, em janeiro de 2019, a plataforma implementou uma ferramenta de filtragem automática muito similar a essa recusada, após a empresa ter sido alvo de várias denuncias em órgãos reguladores e na imprensa especializada.


"Para que, em casos de processos judiciais, não houvessem tantas provas de que funcionários tinham conhecimento de vídeos problemáticos"

Bloomberg ainda afirma ter conversado com funcionários de fora da equipe de moderação, os quais eram ativamente aconselhados a não reportar vídeos tóxicos que encontrassem na plataforma. Os advogados da empresa teriam sugerido essa política para que, em casos de processos judiciais, não houvessem tantas provas de que funcionários tinham conhecimento de vídeos problemáticos circulando no YouTube.

Há ainda uma terceira acusação, essa referente à CEO do YouTube, Susan Wojcicki. Aparentemente, ela sempre se recusava a discutir os problemas de moderação de vídeos tóxicos, dizendo que seu trabalho ali era apenas “liderar a empresa” ou “fazê-la funcionar”.

 CEO do YouTube (fonte: David Paul Morris/Bloomberg)

As primeiras ações do YouTube contra vídeos tóxicos teriam começado em 2016, com a moderados manualmente desmonetizando canais e vídeos considerados infratores das regras de uso. Contudo, em todo o mundo, apenas 20 pessoas trabalhavam nisso até pouco tempo.

Em 2018, o YouTube começou a descreditar teorias de conspiração e fake news em sua plataforma com etiquetas e links para informações verdadeiras. Contudo, os efeitos dessa luta contra vídeos tóxicos ainda são pouco percebidos pela comunidade.


Austrália estuda pedir a prisão de executivos de gigantes da tecnologia



Em uma tentativa de fazer com que as empresas de tecnologia ofereçam respostas mais rápidas à disseminação de discurso de ódio nas redes sociais, o governo australiano está considerando criar uma legislação específica para lidar com conteúdo com violências ligadas ao terrorismo, podendo levar executivos à prisão. De acordo com o Australian Financial Review, a nova lei tornaria crime não remover este tipo de cena de maneira urgente, logo que as plataformas ficassem sabendo que elas estão circulando. 

A lei propõe uma série de penalidades que podem ser impostas. Elas variam de acordo com o tempo durante o qual o conteúdo permaneceu disponível. Dentre estas punições, está a possibilidade de pena de prisão para os executivos das empresas de tecnologia. Não está claro quanto tempo na cadeira seria considerado suficiente como punição, nem se ela poderia variar a depender do grau de violência do conteúdo e do quanto ele viralizasse.

(Reprodução/Pexels)

Na última terça-feira, houve uma reunião entre o governo australiano e executivos de empresas como Facebook, Twitter e Google. O governo queria saber como as companhias planejam evitar que as plataformas sejam utilizadas como armas por terroristas, depois do massacre que aconteceu na Nova Zelândia.

O Primeiro-Ministro do país, Scott Morrison, esteve no encontro e falou na possibilidade de tomar providências. “Se as empresas de mídias sociais não demonstrarem disposição para implementar imediatamente mudanças que previnam o uso das plataformas como foi filmado e compartilhado pelos terroristas de Christchurch, nós vamos agir”. 

Seguindo a mesma linha, o advogado-geral da Austrália, Christian Porter, questionou como as empresas irão responder rapidamente, ou até prevenir, o streaming ao vivo de conteúdos como os do ataque na Nova Zelândia. “As respostas para estas perguntas não foram satisfatórias o suficiente”, avaliou.

O Facebook foi criticado após o massacre em Christchurch porque teria demorado a remover o vídeo da plataforma, mas a empresa responde dizendo que ninguém reportou a transmissão como abusiva até 12 minutos depois que ela acabou

Fonte: GIZMODO

sábado, 23 de março de 2019

Por que o Facebook não bloqueou a live do massacre na Nova Zelândia



O massacre que tirou a vida de 50 pessoas na Nova Zelândia, na semana passada, foi transmitido ao vivo pelo Facebook para milhares de pessoas. A rede social falhou em bloquear a exibição e, atualmente, ainda é possível encontrar o vídeo sendo compartilhado pela internet. A ação terrorista ficará gravada para sempre, visto que o Facebook não teve a capacidade de identificar a livestream e tirar do ar.

"Massacre na Nova Zelândia foi exibido ao vivo no Facebook e só caiu após 12 minutos do encerramento da transmissão"




De acordo com uma publicação de Guy Rosen, vice-presidente da equipe de produto no Facebook, o sistema de inteligência artificial da empresa não estava preparado para um evento como este. Para reconhecer algo assim como “não autorizado” dentro do sistema de livestream, a inteligência artificial precisa ser treinada para isso — ou seja, ela precisa “enxergar” centenas de imagens de ataques terroristas e outros tipos de massacres para aprender que isso não deve ser transmitido ao vivo.

Bem, provavelmente temos inúmeros vídeos e imagens de massacre na internet que o Facebook poderia ter utilizado para ensinar sua inteligência artificial, não é?

Rosen ainda escreveu: “Precisamos fornecer aos nossos sistemas grandes volumes de dados desse tipo específico de conteúdo, algo que é difícil, pois esses eventos são felizmente raros. A IA é uma parte extremamente importante da nossa luta contra o conteúdo terrorista em nossas plataformas, e enquanto a sua eficácia continua a melhorar, nunca será perfeita”.

Outro ponto que, segundo Rosen, impediu que o Facebook agisse rapidamente: o vídeo ao vivo do terrorista não teve denúncias de usuários da rede social enquanto era exibido. 

De acordo com o vice-presidente da empresa, a equipe responsável pelos vídeos prioriza a exclusão de vídeos que recebam denúncias.

"Antes de ser completamente tirado do ar, chegou a bater 4 mil visualizações — e hoje corre na internet"



O vídeo ao vivo, com cenas explícitas do terrorista atirando contra dezenas de pessoas em ataque xenófobo e racista, teve 200 visualizações no Facebook. Antes de ser completamente tirado do ar, chegou a bater 4 mil visualizações. A primeira denúncia de usuário foi realizada 12 minutos após o término da livestream. Durante as próximas 24 horas da exibição, o Facebook tirou do ar 1,2 milhão de vídeos — 80% deles foram identificados antes da carga completa na rede social, 300 mil removidos após o upload.

“No ano passado, mais do que dobramos o número de pessoas trabalhando em segurança para mais de 30 mil pessoas, incluindo cerca de 15 mil revisores de conteúdo. Por isso incentivamos as pessoas a denunciar conteúdo que considerem preocupante”, escreveu Rosen.


O Facebook aproveitou também para anunciar alguns passos que tomará daqui para frente. Veja abaixo:


  • Melhorar nossa tecnologia de correspondência para que possamos impedir a disseminação de vídeos virais dessa natureza, independentemente de como eles foram originalmente produzidos. Por exemplo, como parte de nossa resposta na última sexta-feira, aplicamos a tecnologia baseada em áudio experimental que desenvolvemos para identificar variantes do vídeo
  • Em segundo lugar, reagindo mais rapidamente a esse tipo de conteúdo em um vídeo transmitido ao vivo. Isso inclui explorar se e como a inteligência artificial pode ser usada para esses casos e como chegar aos relatórios do usuário mais rapidamente. Alguns perguntaram se devemos adicionar um atraso no Facebook Live, semelhante ao atraso de transmissão usado às vezes pelas emissoras de TV. Há milhões de transmissões ao vivo diariamente, o que significa que um atraso não ajudaria a resolver o problema devido ao grande número de vídeos. Mais importante, dada a importância dos relatórios de usuários, a adição de um atraso só retardaria ainda mais os vídeos sendo informados, revisados e os socorristas sendo alertados para fornecer ajuda no local.
  • Em terceiro lugar, continuando a combater o discurso de ódio de todos os tipos em nossa plataforma. Nossas normas comunitárias proíbem grupos terroristas e de ódio de todos os tipos. Isso inclui mais de 200 organizações de supremacia branca globalmente, cujo conteúdo estamos removendo por meio de tecnologia de detecção proativa.
  • Quarto, expandindo nossa colaboração no setor por meio do Fórum Global da Internet para o Combate ao Terrorismo (GIFCT). Estamos experimentando o compartilhamento de URLs sistematicamente, em vez de apenas hashes de conteúdo, estamos trabalhando para abordar a gama de terroristas e extremistas violentos que operam on-line e pretendemos refinar e melhorar nossa capacidade de colaborar em uma crise.
Fonte:  Facebook

sexta-feira, 22 de março de 2019

Facebook admite que já desconfiava das práticas da Cambridge Analytica


Quanto mais a gente mexe, mais a gente encontra, e o Facebook continua se complicando. Segundo o The Guardian,os funcionários da rede social estavam cientes das preocupações sobre “práticas impróprias de coleta de dados” pela Cambridge Analytica meses antes de a publicação inglesa informar, pela primeira vez, em dezembro de 2015, que a consultoria política havia obtido dados de milhões de pessoas. As preocupações apareceram em um processo judicial apresentado pelo procurador-geral de Washington DC e foram confirmadas pelo Facebook.

A nova informação “poderia sugerir que o Facebook tem sistematicamente enganado os legisladores britânicos sobre o que sabia sobre a Cambridge Analytica”, tuitou Damian Collins, presidente da comissão de cultura digital da Câmara dos Comuns e do DCMS em resposta ao processo.

Em um comunicado, um porta-voz da empresa disse que "o Facebook absolutamente não enganou ninguém sobre esse cronograma". O porta-voz afirmou, também, que funcionários do Facebook ouviram rumores de coleta de dados pela Cambridge Analytica em setembro de 2015, "algo que infelizmente é comum em qualquer serviço de internet", disse.


Facebook tinha percebido antes


A extração de dados, embora altamente controversa, não foi contra as políticas do Facebook, que na época permitia que a Global Science Research (GSR) recebesse informações não apenas de usuários que consentiram, mas de todos os seus amigos. Foi a transferência dos dados do GSR para o SCL Group que chamou a atenção da rede social.

Após o processo feito pelo procurador-geral de Washington DC, que autuou o Facebook por ter falhado em proteger os dados de seus usuários, um pedido de arquivamento por parte da rede social foi solicitado, o que gerou ainda mais suspeitas por parte das autoridades sobre o tempo de conhecimento da empresa sobre o tema. Logo após isso, surgiram mais documentos e evidências de que o Facebook sabia de tudo momentos antes de a "bomba explodir".

Os documentos são “trocas de e-mails entre funcionários do Facebook que discutem como a Cambridge Analytica (e outros) violou as políticas do Facebook”, ressalta uma declaração apresentada pelo procurador-geral da capital americana na segunda-feira (18).

Esses e-mails incluem "avaliações de funcionários que vários aplicativos de terceiros acessaram e venderam dados do consumidor em violação das políticas do Facebook durante a eleição presidencial dos Estados Unidos em 2016", aponta o arquivamento. "Isso também indica que o Facebook sabia das práticas impróprias de coleta de dados da Cambridge Analytica meses antes dos veículos de notícias informarem sobre o assunto", continua o arquivamento.

O Facebook ainda vai enfrentar os tribunais de Washington para se explicar sobre essas informações.

Fonte: The Guardian