Na terça-feira, 2
de abril, o Canaltech noticiou a emissão de uma proposta de projeto de lei de autoria do
deputado federal Júnior Bozella (PSL-SP) que criminaliza a
distribuição de jogos considerados violentos (PL 1577/2019). Após a
repercussão, foi aberta uma enquete popular na página da Câmara dos Deputados,
onde 99% dos votantes se posicionaram contrários à proposta e, a partir daí, o
assunto parecia ter morrido.
Ênfase no
“parecia”, pois, segundo informações do blog Drops de Jogos, a proposta do
deputado Bozella, um correligionário do presidente Jair Bolsonaro, acabou sendo
anexada a um Projeto de Lei ainda mais antigo, parado na Câmara há 10 anos. De
autoria original do deputado Carlos Bezerra (MDB-MS), o documento (PL
6042/2009) busca “alterar o Decreto-lei nº 2.848, de 1940, que estabelece
medidas contra a corrupção, o crime organizado e os crimes praticados com grave
violência à pessoa”.
Print tirado
da página da Câmara dos Deputados, comprovando que o PL autorado pelo deputado
Júnior Bozella (PL 1577/2019) foi apensado a um projeto ainda mais antigo, de
autoria de deputado do MDB (Captura de Imagem: Rafael Arbulu)
O PL
criado pelo deputado Bozella efetivamente atualiza a tramitação do PL
6042/2009, que não via apreço da mesa diretora há 10 anos, anexando os seus
parâmetros de criminalização da mídia interativa. Efetivamente, o projeto mais
antigo foi desengavetado graças à anexação do novo, e novamente será enviado
para tramitação da mesa diretora na Câmara dos Deputados, atualmente presidida
pelo deputado federal do MDB, Rodrigo Maia.
O grande problema com ambas as propostas, segundo o que
alguns comentários da enquete dão a entender, é o de que jogos já contam com
uma classificação etária vigente, a qual estipula que jogos como Grand Theft Auto e similares sejam disponibilizados apenas para maiores
de 18 anos. Outros internautas comentam que a educação dos filhos deveria “vir
de casa”, chamando o projeto de “intervenção do Estado”. Há, ainda, quem aponte
para uma incoerência do deputado Bozella, que, durante a campanha eleitoreira
de outubro de 2018 ecoou o discurso de flexibilização da posse de armas de fogo
pelos cidadãos (uma das bandeiras de seu partido), mas agora visa proibir
justamente os jogos que contenham enredos baseados em conflitos armados — sejam
eles fictícios ou baseados na História mundial.
O deputado
federal Júnior Bozella, em sua imagem de perfil no Twitter (Imagem:
Reprodução/Twitter
Conforme
noticiamos em nota anterior, a ciência de pesquisas não embasa nenhuma das duas
propostas: apontamos, na ocasião, três estudos diferentes, em diferentes
épocas, ressaltando as conclusões de que não há qualquer relação entre causa e
efeito no aumento do comportamento agressivo de crianças e jovens face à
exposição destes a jogos considerados de teor adulto.
O destaque
fica para um dos estudos mais abrangentes do setor na atualidade, conduzido
pela Universidade de Oxford: “A ideia de que videogames violentos derivam
agressividade no mundo real é bem popular, mas não progride muito bem quando
testada ao longo do tempo”, disse o líder do estudo, o professor Andrew
Przybylski, diretor de pesquisas do Instituto de Internet de Oxford. “Apesar do
interesse no assunto por pais e legisladores, a pesquisa não demonstrou nenhuma
causa para preocupação”.
Fonte: Drops de Jogos; PL 6042/2009; PL 1577/2019 (enquete popular)


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