Em decreto
(9.759) publicado na última quinta-feira (11), o presidente Jair Bolsonaro
busca extinguir cerca de 700 comitês e colegiados vinculados à administração
pública, o que poderia praticamente extinguir a participação popular direta nas
decisões do governo. O CGI.br, que administra a internet no Brasil, não será
afetado, mas alguns grupos que fiscalizam o trabalho da Anatel podem
ser extintos.
O novo decreto só não terá efeito
contra comitês e colegiados regulamentados por lei. O criados por decretos
anteriores, assinados por outros presidentes, terão 60 dias para justificar sua
existência à Casa Civil. Todos os comitês que tiveram algum integrante apontado
pelo governo Bolsonaro ou sofreram algum tipo de alteração no ano de 2019 estão
imunes ao novo decreto.
Dentro do MCTIC (Ministério da
Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações) vários conselhos importantes que
defendem interesses de consumidores poderiam deixar de existir. Entre eles
alguns que analisam uso de recursos do Funttel (Fundo para o Desenvolvimento
Tecnológico das Telecomunicações), além de grupos que contribuem para a
definição de políticas para IoT — algo que o novo governo já havia definido
como prioridade — também estão na mira.
Anatel
Contudo, os conselhos populares
que podem fazer mais falta para o consumidor de tecnologia no Brasil seriam o
Gired, que administra o desligamento da TV analógica no país, e o CDUST, que
representa o interesse da população em assuntos de telecomunicações dentro da
Anatel. Ambos correm risco de extinção.
"Técnicos da Anatel acham que ainda não é possível dizer se conselhos e comitês populares ligados à autarquia seriam afetados"
O CGI.br, que administra a
distribuição de domínios na raiz “.br” estaria totalmente livre do novo decreto
por ser uma instituição autônoma, parte de uma rede global que gere a internet
no mundo. Esse conselho inclusive tem sua própria fonte de receita e não
depende de aportes do governo.
Segundo apurou o TeleSíntese, técnicos da Anatel
acham que ainda não é possível dizer se conselhos e comitês populares ligados à
autarquia seriam afetados. Pela natureza de agência reguladora, que lhe garante
autonomia, o governo federal não poderia interferir na forma como a Anatel
funciona. O governo, contudo, pode apontar presidentes para a autarquia.
Rafael Zanatta, advogado do Grupo
de Ética, Tecnologia e Economias Digitais da USP, também consultado pelo TeleSíntese, classificou os possíveis
efeitos na Anatel como “assombrosos”.
"Soa
quase como revanchismo, uma tentativa de eliminar tudo o que aconteceu nos
últimos 14 anos porque não foi feito por Bolsonaro"
“Simplesmente via decreto,
eliminar uma instância de participação democrática na Anatel, com reuniões
regulares, publicações regulares, me parece um erro assombroso de política
pública. Soa quase como revanchismo, uma tentativa de eliminar tudo o que aconteceu
nos últimos 14 anos porque não foi feito por Bolsonaro, mas pelo PT ou PSDB”,
disse.
O Governo Federal ainda não se
manifestou sobre casos particulares e afirma que busca “desburocratizar” a
administração removendo conselhos que ponderam as decisões junto à
administração pública.
Fonte PLANALTO/ TELESINTESE

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