domingo, 1 de setembro de 2019

J.R.A.FOTO-CRÍTICA: ERA UMA VEZ EM...HOLLYWOOD



Por João Ramiro Antunes

Está em cartaz o mais novo filme do aclamado diretor e roteirista Quentin Tarantino com sua visão única de fazer cinema. O gênio louco está de volta nos oferecendo uma viagem aos anos 60 e ao cinema daquela época de forma muito imersiva e humorada. 
No final da década de 1960, Hollywood começa a se transformar e o astro de tv Rick Dalton (Leonardo DiCaprio) e seu dublê Cliff Booth (Brad Pitt) tentam acompanhar as mudanças. Essa dupla fictícia embarca em uma odisséia para fazerem seus nomes na indústria cinematográfica durante os reais assassinatos de Charles Manson em 1969, Los Angeles. 
O nono e penúltimo filme de sua carreira (segundo o próprio Tarantino), é acima de tudo uma carta de amor ao cinema de alguém que ama de verdade essa arte. 
O cineasta revela toda sua paixão mostrando seu absurdo conhecimento em todas suas nuances e fases, desde os bastidores dos filmes na época,com o sucesso do Western, com gravações, locações de filmagem, comercias de TV, referências à diretores, estrelas e lugares, tudo dentro do seu próprio longa, funcionando quase como um documentário. Bastante disso, é da própria memória fotográfica do Tarantino, recriando ruas, lojas, objetos com uma ajuda impecável da direção de arte. 
 
DiCaprio e Pitt estão fantásticos em seus papéis, Dalton e Cliff são excelentes protagonistas,carismáticos, engraçados e bem desenvolvidos, ainda contando com a belíssima Margot Robbie como a real atriz Sharon Tate, junta com participações de peso do veterano Alpacino, Timothy Olyphant, James Marsden, Margaret Qualley, Emile Hirsch,Dakota Fanning, Austin Bucther e do ator Luke Perry, que infelizmente veio a falecer esse ano. 
Além de rostos já conhecidos de seus trabalhos como Kurt Russel, Michael Madsen, Bruce Dern e sua amiga e dublê Zöe Bell, com que trabalhou em Kill Bill. 
Mesmo apostando em uma narrativa meio cotidiana dos dois personagens centrais, é muito divertido ver as inseguranças de Rick Dalton, suas frustrações, medo de não ser mais relevante no meio artístico, entregando ótimos momentos, inclusive um contracenando com uma garotinha. 
Assim como seu misterioso amigo e habilidoso dublê Cliff Booth, sua amizade e camaradagem é muito bem construída, convincente e engraçada, esbanjando química de seus intérpretes. 
Agora passando para a "polêmica" cena em que o saudoso astro/mestre das artes marciais Bruce Lee aparece dialogando e até lutando com o fictício Cliff Booth, pra mim não justifica em nada todo o alvoroço de sua filha Shannon Lee e de alguns "fãs". 
Tarantino sabia exatamente o estava fazendo, principalmente ao retratá-lo, abordando o astro como um personagem e não uma figura humana, e com isso o ator asiático Mike Moh, entrega exatamente o que ele quis mostrar. Chega a ser estranho o quão caricato qualquer um fica ao interpretá-lo como se ele fosse único, o que torna tudo mais evidente. Eu não me peguei rindo do Bruce Lee como muitos disseram, me peguei rindo da cena em si, que de fato é engraçada. O que pra alguns foi um desrespeito, pra mim foi mais que uma homenagem e respeito de um fã declarado, ao colocar Bruce quase perdendo uma luta pra alguém que nem existiu, mas acredito que poucos atentaram pra isso. 
 
Com quase 3 horas de duração, Tarantino parece não se importar com o tempo, filmando tudo sem pressa, com planos lentos e detalhados, contando sua história ou acontecimentos calmamente, o que pode para alguns soar cansativo, ao exibir cenas em sets de filmagens, erros de gravações, conversas de investidores e amigos do meio,repercussão de trabalhos na tv e no cinema com o público. 
 
Além de passar despercebido a parte verídica da história, caso não tenhas conhecimento prévio, do real assassinato da esposa do diretor Roman Polanski, a atriz Sharon Tate grávida de 8 meses, pelo psicopata Charles Manson (aqui vivido pelo ator Damon Herriman) fundador e líder de um culto rippie que cometeu vários assassinatos na época. Mas por outro lado, é aí que vem toda a genialidade do diretor, subvertendo nossas expectativas, com uma liberdade criativa que me lembrou a dada por ele em Bastardos Inglórios para com o final, que me peguei rindo e me divertindo e muito, com uma cena pra lá de Tarantinesca. 
Era uma vez em… Hollywood é propositalmente devagar, uma homenagem e presente pra quem curte cinema em seus vários aspectos, atuações excelentes, reconstrução de época brilhante,é engraçado e violento, não é o melhor trabalho do diretor, mas é um experiência cinematográfica muito gratificante e que mostra que esse cara não pode parar em 10 projetos… não mesmo. 

NOTA: 8,5/10

Assista o Trailer:


Ficha técnica completa

Título
Once Upon a Time in... Hollywood (Original)
Ano produção
2019
Dirigido por
Estreia
15 de Agosto de 2019 ( Brasil )
Outras datas 
Duração
165 minutos
Classificação
 16 - Não recomendado para menores de 16 anos
Gênero
Países de Origem


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