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sexta-feira, 7 de junho de 2019

Há 65 anos morria Alan Turing, o "Pai da Computação" e da IA


Sua história tornou-se mais popular com o filme “O Jogo da Imitação”, com Benedict Cumberbatch, em 2014. Antes disso, limitava-se aos nichos profissionais e de entusiastas de tecnologia. Uma injustiça para uma pessoa “presente” em todas as nossas instituições, escritórios, lares e até em nossos bolsos: sem Alan Turing, o “Pai da Computação”, talvez estivéssemos ainda em um patamar bem mais atrasado.

O dia 7 de junho de 1954 é especial porque nessa data morria o homem que evitou a morte de milhões de pessoas na Segunda Guerra Mundial. Sua despedida precoce, resultado de uma perseguição cruel, é então sempre lembrada, ainda mais hoje, quando esse marco histórico completa 65 anos.
Turing nasceu em Londres, em 23 de junho de 1912, onde teve uma infância distante dos pais, com o irmão mais velho e um casal de aposentados, que cuidava das crianças. Ele sempre alimentou interesse por criptografia e, já saindo da adolescência, em 1930, criaria o que hoje podemos considerar o primeiro projeto de um computador e de inteligência artificial (IA).

A máquina de Turing

Aos 24 anos, após se formar em matemática pela Universidade de Cambridge, Turing projetou uma máquina capaz de manipular, automaticamente, símbolos em um sistema de regras próprias. A partir daí, foi possível criar um esquema capaz de processar códigos em torno de conjuntos cognitivos. Isso o tornou famoso e, em 1938, o franzino, tímido, genial e excêntrico — muitas vezes arrogante — o rapaz integrou o GC&CS, o escritório de decodificação de mensagens da Inteligência Britânica.

Códigos eram encriptados na época de maneira bem semelhante como acontece atualmente no WhatsApp ou em transações bancárias

A equipe que passou a comandar (e incomodar, já que ele era uma pessoa de difícil convívio, segundo os relatos) tinha como missão decodificar o Enigma, uma máquina de escrever alemã com rotores, que mudavam seus códigos diariamente — algo muito semelhante com o que usamos no WhatsApp ou em transações bancárias atualmente. Ela servia justamente para embaralhar as mensagens trocadas entre as tropas de Hitler. 

Fonte: Revista Galileu

A revelação desse segredo poderia ajudar os militares a interceptar as mensagens encriptadas que os alemães trocavam durante a Segunda Guerra Mundial. A única maneira de decifrar esse mistério era usando a mesma chave de encriptação original, que era trocada mensalmente, pois os rotores eram capazes de formular milhares de combinações — e ninguém tinha ameaçado trazer à tona esse conteúdo até então.

 

A revelação do Enigma


Turing descobriu como decifrar a Máquina Enigma usando uma técnica eletromecânica chamada de “bombas”: mecanismos que permitiam várias análises simultâneas de textos, na velocidade semelhante aos humanos.

Com isso em mãos, em 1942, os ingleses conseguiam ler 50 mil mensagens por mês, uma por minuto. Assim, conseguiram desvendar os passos da investida nazista, incluindo onde estavam seus submarinos e até mesmo onde eles atacariam no Dia D.   

Na sequência, a história que todos conhecemos é que a Inglaterra conseguiu resistir a Hitler e responder na campanha que derrotou os alemães. Quando o conflito acabou, Turing foi para o Laboratório Nacional de Física e ficou no anonimato, já que tanto sua identidade quanto todos os projetos em que trabalhou para a Inteligência Britânica foram mantidos em segredo durante décadas.

O Teste de Turing e a morte precoce


Ainda assim, em 1950 desenvolveu o chamado “Teste de Turing”, usado até hoje para identificar IA: se em uma conversa textual em tempo real entre um humano e uma máquina não há como discernir quem é quem em determinado período, o sistema pode ser considerado um autômato inteligente.

Ser gay era considerado crime na Grã-Bretanha até o final dos anos 60

Mesmo com essa descoberta incrível, o cientista não poderia ter sido “punido” da pior forma, por pura ignorância, medo e violência: ele era gay e isso era crime na Grã-Bretanha até 1967. Por conta disso, no início dos anos 50, foi condenado e humilhado em público, impedido de levar à frente os estudos sobre computação, e recebeu injeções de hormônios femininos em uma “castração” química. 

Fonte: WikiMedia Creative Commons/John Callas

Transtornado com as alterações de seu corpo e com a vida que mantinha depois de ser afastado de tudo o que mais amava, comeu uma maçã envenenada e morreu em seguida, aos 41 anos.

Mas, se depender da gente, sempre será lembrado por ser o “Pai da Computação” e ter contribuído não somente para a evolução da tecnologia, como também da humanidade.


segunda-feira, 20 de maio de 2019

Polícia usa fotos de famosos para alimentar IA e prender ladrões nos EUA


O Departamento de Polícia de Nova York usou uma gambiarra para prender um ladrão com base em reconhecimento facial — mas o método só foi descoberto quase dois anos depois e, por ser tão arriscado, foi criticado por especialistas.

O caso é o seguinte: aparentemente, o sistema de reconhecimento facial do equipamento não estava encontrando o suspeito na base de dados, porque as imagens da câmera de segurança estavam pixeladas. Isso obrigou os agentes a improvisar: como o suspeito era muito parecido com o ator Woody Harrelson ("Jogos Vorazes", "Assassinos por Natureza"), foi utilizada uma foto do astro do cinema para alimentar a Inteligência Artificial e encontrar o suspeito. Você pode ver a comparação no topo desta matéria.

O bandido havia roubado cervejas de uma loja de conveniência e o rosto dele foi um dos resultados exibidos pela IA após a inserção da foto do ator. A prisão aconteceu em abril de 2017. Em outro caso denunciado, um jogador de beisebol do New York Knicks também teve a foto utilizada porque um suspeito seria idêntico a ele.

 

Por que isso é errado?


Apesar de ter dado certo, a tática é errada porque aposta que a IA fará a mesma associação que um ser humano — e isso pode gerar uma série de falsos positivos, que resultariam em prisões injustas.

O departamento já possui um sistema avançado de reconhecimento facial, capaz de fazer buscas usando retratos falados e até de editar fotos para "remover" expressões, facilitando a identificação. Porém, usar palpites como esse é brincar com a tecnologia. Portanto, se não há imagens em alta qualidade disponíveis, o jeito é buscar outro caminho para a investigação. San Francisco recentemente baniu o uso da técnica pelo governo por questões de privacidade. 

Fonte da imagem: Georgetown Law

"Não há regras quando o assunto é que imagens a polícia pode usar para o algoritmo de reconhecimento de rosto gerar pistas para investigações", diz o relatório, que você pode ler aqui (em inglês).


quinta-feira, 9 de maio de 2019

Cientistas descobrem forma bizarra de burlar câmeras de vigilância com IA



inteligência artificial avança a passos largos, e a área de vigilância é uma das mais promissoras. Ainda assim, a análise automática de padrões e ambientes pode apresentar algumas falhas que um olho humano não deixaria passar — e a mais recente descoberta nesse setor é no mínimo impressionante.

Pesquisadores da Katholieke Universiteit Leuven, na Bélgica, encontraram uma forma simples de impedir que um sistema de vigilância reconheça uma pessoa: pendurar uma impressão colorida no pescoço. Assim, o indivíduo que está com o objeto não entra no "retângulo" de classificação do sistema, que também descobre objetos, como cadeiras.

O vídeo abaixo mostra exatamente como isso funciona:

 

Que bruxaria é essa?


O truque está nos padrões de cor que normalmente não fazem parte de um ser humano e, aos olhos da IA, significam que aquela não é uma pessoa "normal". Isso acontece porque o sistema é treinado a partir de redes adversárias, que aprendem o que são homens e mulheres a partir de amostras. Como provavelmente nenhuma das imagens enviadas para o banco de dados contém o tal papel pendurado no pescoço, a identificação é levada a um falso negativo.

Por enquanto, o uso do quadro colorido só confunde um algoritmo em específico, mas cientistas já buscam formas mais complexas capazes de enganar vários sistemas, incluindo roupas que deixariam a pessoa "invisível" para eles. O objetivo é refinar os esquemas de vigilância utilizados atualmente e impedir que algo assim seja usado para fins ilegais.


sábado, 20 de abril de 2019

Speedgate: conheça o primeiro esporte criado por inteligência artificial



Esportes variados surgem com o passar do tempo, muitas vezes aproveitando experiências de modalidades já existentes. Porém, o que aconteceria se pegássemos as regras de todas as práticas conhecidas pelo homem e pedíssemos para um computador inventar algo totalmente novo? A resposta está em Speedgate.

Tido como o primeiro esporte totalmente imaginado por uma inteligência artificial, Speedgate combina dados de mais de 400 esportes para criar uma atividade um pouco fora do comum. Nela, 2 times com 6 pessoas precisam competir em uma área com 3 portões abertos (como uma espécie de gol), e a meta é chegar até o portão mais afastado para pontuar, o que pode ser feito tanto chutando nas traves quanto no centro.


Como é possível ver no vídeo acima, 3 jogadores atuam como defensores e 3 como atacantes. As mãos e os pés podem ser usados para fazer a bola avançar e ela deve se mexer de alguma forma a cada 3 segundos. Os jogadores não podem pisar no círculo que está no centro, senão acontece uma falta.

Vale mencionar que o esporte foi criado pela agência AKQA como um exercício para um evento, mas os responsáveis já estão conversando com membros das autoridades esportivas de Oregon, nos Estados Unidos, sobre a possibilidade de realizar uma liga de Speedgate no terceiro trimestre deste ano.

Fonte: ENGADGET

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Pesquisadores usam IA para prever quem vai morrer em Game of Thrones



A última temporada de “Game of Thrones” estreou ontem (14) na HBO e já mobilizou populações na audiência e nas redes sociais. Sucesso de crítica e público, a série se notabilizou também por matar muitos personagens e, portanto, é provável muitas pessoas estejam se perguntando quais serão os próximos defuntos do programa.

Um grupo de cientistas a Universidade Técnica de Munique (TUM), da Alemanha, resolveu lançar mão da inteligência artificial para responder a essas questões. Os modelos criados por eles analisara informações como expectativa de vida da população da série e hábitos dos personagens, mas os principais critérios foram a casa a qual o personagem pertence, suas relações políticas e familiares, seu gênero e sua localizaçã.

Além disso, como não poderia deixar de ser em um caso como este, eles levaram em conta também se tal personagem pode ser considerado grande ou pequeno dentro da trama adaptada dos livros de George R. R. Martin.

 

Análise de dados


Com os dados em mão, os cientistas analisaram tudo usando dois modelos distintos. O primeiro é tradicional, uma abordagem estatísticas conhecida como inferência bayesiana; já o segundo usa tecnologia e combina linguagem neural e aprendizado de máquina.

Essas informações foram compiladas a partir de sites feitos por fãs com “dados pessoais” dos personagens e a sua análise trouxe algumas informações interessantes:

  • Pertencer à casa Baratheon aumenta em 5% as chances de morrer de um personagem;
  • Ser um Lannister, ao contrário, aumenta em 45% a chance de alguém continuar vivo;
  • Homens tendem a morrer mais, com uma taxa de mortalidade de 22% contra 11% das mulheres;
  • Daenerys Targaryen tem apenas 0,9% de chance de morrer nesta temporada;
  • Tyrion Lannister tem apenas 2,5% de chance de morrer nos próximos episódios;
  • Sansa Stark é a segunda personagem com mais chance de morrer: 73,3%;
  • Gregor Clegane tem 80,3% de probabilidade de morte na temporada derradeira de "Game of Thrones".

 

Divergências


Há três anos, o mesmo grupo da TUM desenvolveu uma previsão de mortes usando probabilidade. Apesar de acertar em casos como os de Tommen Baratheon e Stannis Baratheon, que tinham respectivamente 97% e 96% de chances de morte e de fato morreram, os cientistas erraram feio em relação a Daenerys: ela tinha 95% de chance de morte, segundo a análise, mas continua viva e viu essa probabilidade praticamente zerar neste ano

Como isso aconteceu? Segundo os pesquisadores, graças à diminuição da participação do autor dos livros no desenvolvimento da série.

“Desde aquela temporada, George R. R. Martin perdeu o controle [criativo sobre a série] e outros roteiristas estão escrevendo a história”, explicou o pesquisador Christian Dallago à Wired. “Isso é levemente diferente do originalmente pretendido e parece ter tido efeito sobre os dados”, completou.


sábado, 13 de abril de 2019

Polícia da Coreia do Sul usa IA para derrubar esquema de pirâmide no país



A polícia da Coreia do Sul anunciou ter desmantelado um esquema de pirâmide que estava assolando o país e que usava a falta de conhecimento de suas vítimas em relação a criptomoedas para tirar dinheiro delas. Para conseguir encontrar a origem do problema, as autoridades utilizaram inteligência artificial para identificar os bandidos.

O esquema, conhecido como M-Coin, afetava idosos, aposentados e donas de casa, prometendo prêmios em bitcoins ao recrutar novas pessoas para o golpe. As autoridades afirmaram que o grupo já tinha conseguido faturar US$ 19 milhões, aproximadamente R$ 73,2 milhões.

O Gabinete de Justiça Especial de Seul, que atua independentemente da polícia local, prendeu os CEOs de uma empresa de criptomoedas e de uma loja virtual, ambos envolvidos no esquema de pirâmide. Além deles, outros 10 recrutadores acabaram presos na operação que afetou mais de 56 mil vítimas, a maioria com idades entre 60 e 70 anos.

Imagem: Reprodução/Bitcoin News

Para conseguir encontrar provas para realizar as prisões, as autoridades usaram uma inteligência artificial especial para investigar sites e anúncios que poderiam conter palavras-chaves e outros padrões geralmente usados em esquemas de pirâmide e suas origens. Mesmo com os criminosos tentando despistar a polícia após o início da investigação, transferindo documentos para o exterior, foi possível identificar os culpados e acabar com o esquema.


Apple contrata ex-funcionário da Google especialista em IA



Pelo visto, a Apple está pensando em investir cada vez mais em projetos que envolvem inteligência artificial. Em 2018, por exemplo, a empresa contratou John Glannandrea, ex-funcionário da Googleespecialista neste quesito, e agora a Maçã “roubou” mais um talento da concorrente: Ian Goodfellow.

De acordo com informações divulgadas na rede, Goodfellow fará parte do “Grupo de Projetos Especiais” como diretor de machine learning. A mudança de companhia aconteceu em março deste ano, mas o profissional só atualizou o seu perfil no LinkedIn na última quinta-feira (4).


Vale mencionar que, apesar de ainda não termos uma indicação de quais projetos terão o envolvimento do novo profissional, é sabido que a Apple está trabalhando em projetos como o FaceID e desenvolvendo tecnologias voltadas para veículos autônomos. A assistente virtual Siri também utiliza conceitos de inteligência artificial, então é bem provável que Goodfellow também auxilie nesse campo.

Quem é ele?

Ian Goodfellow tem ph.D pela Universidade de Montreal e trabalhou para o OpenAI de Elon Musk (onde ganhou aproximadamente US$ 800 mil por ano, de acordo com uma declaração de imposto de renda). Ele é conhecido por ter criado um método de desenvolvimento conhecido como “GAN” (ou “Redes Adversariais Geradoras”, em uma tradução literal), formato que consiste em posicionar duas redes neurais (sendo uma “geradora” e outra “discriminatória”) em conflito para gerar resultados diferentes em formato de áudio, vídeo e texto.


Fonte: CNBC

segunda-feira, 8 de abril de 2019

Estudante descobre dois novos planetas usando inteligência artificial



Uma estudante de astronomia da Universidade do Texas descobriu dois novos planetas usando inteligência artificial. Anne Dattilo desenvolveu um algoritmo que faz buscas minuciosas nos dados capturados pelo telescópio Kepler para descobrir sinais que não foram detectados pelos métodos tradicionais de busca por novos corpos celestes. A expectativa é que o modelo criado ajude outros astrônomos a encontrar astros escondidos nos dados gerados pelo dispositivo.

Não é novidade a utilização de computadores para ajudar na busca por novos planetas, mas os dados com os quais Dattilo e seus colegas estavam lidando precisavam de uma abordagem específica. Isso acontece porque as informações capturadas durante a missão prolongada do Kepler eram diferentes das produzidas anteriormente, sendo portadoras de alguma instabilidade.

(Reprodução/Anne Dattilo)

A inteligência artificial desenvolvida por Dattilo leva em conta o movimento causado pela instabilidade e o anula; com isso, o computador consegue identificar as diminuições no brilho, que estão associadas com o fato de um planeta passar na frente de uma estrela distante. Quando o algoritmo foi aplicado aos dados do Kepler, encontrou dois. 

De acordo com a pesquisadora, os planetas encontrados são semelhantes a outros identificados nos dados do telescópio. “Eles estão bem próximos da estrela principal, têm pequenos períodos orbitais, são quentes e ligeiramente maiores que a Terra”, explicou.

Um dos planetas se chama K2-293b e está a 1,3 mil anos-luz de distância da Terra; o segundo, K2-294b, está a 1.230 anos-luz. Ambos estão na constelação de Aquarius.

O artigo no qual as descobertas estão detalhadas foi publicado na revista The Astronomical Journal.


sábado, 6 de abril de 2019

Conselho de Ética de IA da Google perde membro e tem futuro comprometido



No dia 26 de março, a Google anunciou uma equipe formada por oito pessoas que integram o Conselho Consultivo Externo de Tecnologia Avançada (ATEAC, na sigla em inglês), que tem a finalidade de ajudar a companhia a superar os obstáculos éticos relacionados ao desenvolvimento da inteligência artificial. Agora, a partir do dia 04 de abril, essa instituição foi finalizada.

Toda essa crise começou no último sábado (30): Alessandro Acquisti, um dos indicados para o conselho, tuitou que desistiu do cargo.

Alessandro, que é professor da Universidade de Carnegie Mellon e especialista em questões de privacidade digital disse não acreditar que aquela seria uma função ideal para ele desempenhar, uma vez que se dedica à pesquisa para lidar com as principais questões éticas de justiça, direitos e inclusão na IA.

Na segunda-feira (01/04), uma carta criada por um funcionário anônimo da Google pedia a saída de outro membro do ATEAC: Kay Cole James. James é presidente do Heritage Foundation, um grupo de posicionamento conservador, que se opõe às leis de direitos iguais para gays e transexuais e é contra a regulamentação das emissões de carbono.  A carta foi assinada por quase mil funcionários da Google, além de pesquisadores acadêmicos e outras pessoas da indústria da tecnologia.

Fonte: Pplware

Apesar de Alessandro Acquisti não ter detalhado o motivo de sua desistência, suas palavras podem ser um indício do descontentamento sobre a presença de conservadores no conselho. Alguns especialistas e ativistas de IA também pediram a saída de Dyan Gibbens, por seu envolvimento na criação de drones militares, sendo que, em 2018, vários funcionários da Google protestaram pelo fato da empresa ter anunciado uma parceria com o governo americano, para construir tecnologia de reconhecimento de objetos para drones.

 

O que a Google diz?


"Ficou claro que, no ambiente atual, a ATEAC não pode funcionar da forma que gostaríamos. Por isso, estamos encerrando o conselho e voltando para a mesa de rascunhos", disse um representante da Google por email para a Reuters.

Outro membro do ATEAC, Joanna Bryson, afirmou que, de acordo com a Google, a indicação de conservadores para o conselho serve para manter a diversidade de opiniões, a fim de que as decisões sejam convincentes para a sociedade em geral.


quinta-feira, 4 de abril de 2019

Força Aérea dos EUA vai usar drones com IA para auxiliar pilotos em combate



A Força Aérea dos EUA lançou um programa chamado Skyborg, onde pretende utilizar drones dotados de inteligência artificial para ajudar os pilotos a obter mais sucesso em suas missões. Ainda em sua fase inicial, o programa não formulou o que, exatamente, esses drones vão desempenhar, nem como eles vão fazer isso.

Na verdade, a Força Aérea emitiu um comunicado à impressa, informando que está realizando uma pesquisa junto à indústria tecnológica, para mapear as tecnologias disponíveis para esses equipamentos e criar um conceito de análise de operações para o programa.

Na prática, a organização está consultando especialistas, para ter uma noção do que os drones baseados em IA são capazes, além de realizar possíveis requisições.

Fonte: Christopher Skor/Unsplash

No início de março (2019), o secretário assistente de aquisição, tecnologia e logística da Força Aérea, Will Roper, disse que o ideal é que os drones se tornem uma espécie de assistente para os pilotos, assim como o R2D2 é para o Luke Skywalker, se referindo à dupla do filme Guerra nas Estrelas.

Já no dia 15 de março, após uma solicitação de informações à Força Aérea, ela havia informado que espera que o sistema seja capaz de sinalizar sobre situações de risco para o piloto, evitem outras aeronaves, condições meteorológicas desfavoráveis e outros obstáculos, além de poder levantar voo e aterrissar de forma autônoma. Outra exigência é que o controle possa ser operado por pessoas sem qualquer experiência com esse tipo de equipamento, prevendo, talvez, uma situação de emergência.

A Força Aérea ainda pede que as empresas enviem partes separadas de arquitetura de voo. A ideia é que ela própria possa desenvolver dispositivos modulares e adaptáveis às diferentes situações. Sendo assim, dependendo da missão, o drone só seria equipado com os sensores úteis à ocasião. Isso o tornaria mais leve, ágil e ainda ajudaria a poupar bateria.

A organização pretende começar a testar protótipos do Skyborg em 2023.

Fonte: ENGADGET

sábado, 30 de março de 2019

IAs de reconhecimento facial ainda 'ignoram' pessoas trans e não-binárias



reconhecimento facial, como já explicamos em uma matéria aqui no TecMundo, trabalha basicamente ao detectar um rosto em formas geométricas e logarítmicas, a função do sistema é montá-lo como em um quebra cabeça. Entretanto, o software não reconhece pessoas trans e não-binárias; portanto, como devemos proceder? Infelizmente, quase nunca utilizam esses grupos para a construção dessas interfaces dificultando ainda mais a averiguação. Dados apontam que eles são programados para lidas com dois grupos – masculino e feminino.

Hoje em dia, é mais comum encontrarmos sistemas de reconhecimento em estabelecimentos como bancos, aeroportos e até mesmo o abrir de uma porta utilizarem esses serviços, e se você é uma pessoa transsexual ou não binária, pode ter alguns problemas ao tentar utilizar qualquer um desses estabelecimentos ou, até mesmo, entrar na sua casa.

Uma falha recorrente é que esses programas identificam equivocadamente pessoas negras em bancos de dados criminais, enquanto outros mal conseguem ver rostos negros. A precisão varia de acordo com o sistema, mas, infelizmente, é um problema que tende a piorar, pois a instalação de sistema biométrico em aeroportos e a tecnologia de reconhecimento facial se espalha e logo mais será raro encontrar alguma companhia de aviação que não utilize.  

Fonte: Update Ordie


Os Keyes, estudante de doutorado no Laboratório de Ecologia de Dados do Departamento de Design e Engenharia Centrada em Humanidades da Universidade de Washington, estuda a intersecção da interação humano-computador. A descoberta que intriga Keyes, é o reconhecimento automático de gênero (AGR) ser tão onipresente, deixando de lado indivíduos trans e não-binários.   

Ao ter analisado os últimos 30 anos de pesquisa em reconhecimento facial, ele relata que ao estudar 58 trabalhos de pesquisas separados, descobriu alguns dados relevantes, como:

  • 70% lida como se o gênero fosse imutável;  
  • 80% trata gênero como puramente fisiológico;  
  • 90% seguem padrão binário de gênero. 

Keyes afirma em seu artigo que “esses modelos apagam as pessoas transexuais, excluindo suas preocupações, necessidades e existências. A sub-representação tem sido recriada no mundo em geral, resultando na discriminação. O que mais deixa Keyes surpreso é o fato de como pesquisas de AGR ignoram a existência de trans, sendo excludentes a ponto de apresentar consequências perigosas”.

O Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (NIST) sugeriu que indivíduos usassem software de reconhecimento facial para soar um alarme em torno dos banheiros femininos se algum homem se aproximasse, ou seja, a conclusão que Keyes chega é que a maioria dos trabalhos de AGR não dedicam tempo para discutir o problema por trás dessa tecnologia. Um dos relatórios mais perturbadores divulgados pelo NIST é o custo de classificar falsamente um homem como mulher, permitindo que atividades suspeitas sejam conduzidas, assim como os defensores de banheiros anti-trans vêm defendendo.

Fonte: Revista Digital Security

De todos os dados que Keyes usou para sua pesquisa, 3 dos trabalhos se concentram em pessoas trans, já em não binárias, não encontrou nada, ou seja, em mais de 30 anos de pesquisas nada foi estudado. Esses números demonstram tamanho problema e preconceito existente, afinal, as máquinas não possuem valor neutro, e sim agem conforme forem programadas, e se as pessoas fora dos “padrões” não aparecerem nesses estudos, significa que estamos falando sobre a extensão do apagamento trans, afirma Keyes.

Ele reforça que a tecnologia tem que acompanhar as mudanças humanas, pois somos nós que utilizamos esse tipo de AGR, então ela precisa ser contextual e orientada pela necessidade e para Keyes, não vê tamanha relevância. Ele prioriza aulas de ética ao invés de aulas de estudos de gênero para estudantes dos cursos de ciência da computação que programam sistemas de reconhecimento facial, fomentando melhoramento pessoal, e não aperfeiçoamento das máquinas.   

Fonte: MOTHER BOARD