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segunda-feira, 8 de abril de 2019

Estudante descobre dois novos planetas usando inteligência artificial



Uma estudante de astronomia da Universidade do Texas descobriu dois novos planetas usando inteligência artificial. Anne Dattilo desenvolveu um algoritmo que faz buscas minuciosas nos dados capturados pelo telescópio Kepler para descobrir sinais que não foram detectados pelos métodos tradicionais de busca por novos corpos celestes. A expectativa é que o modelo criado ajude outros astrônomos a encontrar astros escondidos nos dados gerados pelo dispositivo.

Não é novidade a utilização de computadores para ajudar na busca por novos planetas, mas os dados com os quais Dattilo e seus colegas estavam lidando precisavam de uma abordagem específica. Isso acontece porque as informações capturadas durante a missão prolongada do Kepler eram diferentes das produzidas anteriormente, sendo portadoras de alguma instabilidade.

(Reprodução/Anne Dattilo)

A inteligência artificial desenvolvida por Dattilo leva em conta o movimento causado pela instabilidade e o anula; com isso, o computador consegue identificar as diminuições no brilho, que estão associadas com o fato de um planeta passar na frente de uma estrela distante. Quando o algoritmo foi aplicado aos dados do Kepler, encontrou dois. 

De acordo com a pesquisadora, os planetas encontrados são semelhantes a outros identificados nos dados do telescópio. “Eles estão bem próximos da estrela principal, têm pequenos períodos orbitais, são quentes e ligeiramente maiores que a Terra”, explicou.

Um dos planetas se chama K2-293b e está a 1,3 mil anos-luz de distância da Terra; o segundo, K2-294b, está a 1.230 anos-luz. Ambos estão na constelação de Aquarius.

O artigo no qual as descobertas estão detalhadas foi publicado na revista The Astronomical Journal.


terça-feira, 26 de março de 2019

Astrônomos brasileiros detectam possível exoplaneta 13 vezes maior que Júpiter



Um grupo de astrônomos brasileiros descobriu fortes evidências de um exoplaneta quase 13 vezes maior do que Júpiter em um sistema estelar binário mais velho ou evoluído — quando uma das duas estrelas já estão mortas. O sistema fica na constelação de Cygnus (Cisne), visível no hemisfério norte.

Publicado no The Astronomical Journal, o estudo é resultado de um pós-doutorado e um estágio de pesquisa no exterior, ambos com bolsa da FAPESP. Leonardo Andrade de Almeida, pós-doutorando na Universidade Federal do Rio Grande do Norte e principal autor do estudo, explica que essa "é a primeira confirmação de um exoplaneta em um sistema desse tipo", em que uma das duas estrelas já completou seu ciclo de vida.

O sistema binário se chama KIC 10544976, e para detectar as evidências do planeta gigante a equipe usou diferentes análises, uma delas sendo a observação do efeito da variação de luz no instante do eclipse. Quando uma das estrelas passa em frente à outra e quando se sabe, com precisão, o tempo em que esse eclipse ocorre, uma variação nesse tempo é um forte indicador de que há um planeta ao redor de uma das estrelas passando ali naquele instante.

Representação artística do planeta no sistema binário KIC 10544976 (Imagem: Leandro Almeida)

Contudo, somente esta identificação de variações no período orbital não é suficiente para se confirmar que há um planeta em tal sistema. Afinal, assim como o Sol apresenta variação em seu ciclo de atividade magnética a cada 11 anos, outras estrelas também passam pelo mesmo processo, o que causa mudanças no período orbital.

Então, a equipe analisou também o efeito da variação do instante do eclipse e o ciclo de atividade magnética da estrela viva do sistema binário, que é composto por uma anã branca (a estrela morta, menor e com alto brilho) e uma anã vermelha (a viva, com pouca massa em comparação com o Sol e baixa luminosidade). Ambas foram monitoradas por telescópios terrestres entre 2005 e 2017 e também pelo telescópio espacial Kepler entre 2009 e 2013, gerando dados minuto a minuto.

Sendo assim, com todos esses dados em mãos, o time conseguiu estimar o ciclo magnético da estrela viva, com a análise final afastando totalmente a hipótese de que a variação do período orbital observada tinha sido causada pela atividade magnética. A explicação mais plausível, então, é a de que há um planeta gigante ao redor do sistema binário, com massa de quase 13 Júpiteres.

Quando à formação de tal planeta, há duas possibilidades: ele pode ter se desenvolvido ao mesmo tempo que as duas estrelas, há bilhões de anos, sendo portanto um planeta de primeira geração, ou pode ser que ele tenha sido gerado a partir dos gases ejetados durante a morte da anã branca, sendo, assim, um planeta de segunda geração.

A confirmação de que este se trata mesmo de um imenso planeta, seja de primeira ou de segunda geração, virá no futuro próximo, quando entrará em operação a nova geração de telescópios gigantes com espelhos maiores do que 20 metros. Entre eles está o Telescópio Gigante Magalhães (GMT), no deserto do Atacama, no Chile, que deverá começar a funcionar em 2024.

A FAPESP investirá US$ 40 milhões no GMT, o que garantirá 4% do tempo de operação do telescópio para que sejam feitos estudos por pesquisadores de São Paulo .“Estamos sondando 20 sistemas com possibilidade de gravitar corpos externos, como o KIC 10544976, e a maioria só é observável a partir do Hemisfério Sul. O GMT permitirá fazer a detecção direta desses objetos e obter respostas importantes sobre a formação, a evolução e a possibilidade de vida nesses ambientes exóticos”, disse Almeida.


Nas últimas três décadas, foram descobertos quase 4 mil objetos que podem ser planetas em sistemas espalhados pelo universo, sendo que a observação dos primeiros exoplanetas aconteceu a partir de 2011 com o Kepler — que foi oficialmente aposentado em outubro do ano passado. Seu sucessor é o TESS.



Roscosmos quer manter a ISS operacional mesmo se os EUA a abandonarem



Não é novidade que a Estação Espacial Internacional (ISS) está em risco — ao menos na parte norte-americana da estrutura. No ano passado, o governo dos Estados Unidos anunciou que pretende privatizar a ISS, com o corte no orçamento governamental destinado à estação acontecendo até 2025. Ainda, a ISS é capaz de operar, sem grandes manutenções, até 2028, apenas, quando muitos dos componentes necessários para seu funcionamento atingirão o fim de suas vidas úteis até lá. Contudo, no que depender da parte russa da ISS, a estação (ou uma parcela dela) continuará funcionando.

Dmitry Rogozin, diretor-geral da Roscosmos (a agência espacial russa), disse a um grupo de jornalistas em Moscou que a agência preservará a ISS na órbita e funcionando mesmo que o lado americano se retire do projeto. "Esta é a proposta da Roscosmos. Acreditamos que podemos manter a estação caso os americanos decidam se retirar deste projeto, através de outros países e parceiros. Temos capacidades tecnológicas e técnicas para manter a estação em órbita e fornecer totalmente energia elétrica. energia e água lá ", disse.

Ele também explicou que a seção russa da estação pode adicionar novos módulos, lembrando que o módulo Science-Power Module (SPM) terá sua primeira versão lançada à ISS em 2022. "Podemos duplicar o SPM, o seu design torna possível transformá-lo em casa para outros estados, pode haver o SPM-2, SPM-3, SPM-4, e eles podem crescer ainda mais, estendendo a parte internacional da estação ", disse Rogozin.

As partes do Russian Orbital Segment (ROS), parte russa da ISS, em sua configuração de 2011 (Imagem: Wikipedia)

Atualmente, quatorze países participam da ISS: Estados Unidos, Rússia, Canadá, Japão e 10 Estados europeus que fazem parte da ESA (Bélgica, Alemanha, Dinamarca, Espanha, Itália, Holanda, Noruega, França, Suíça e Suécia). A operação da estação, quando ela foi lançada inicialmente em 1998, previa que o encerramento acontecesse entre 2015 e 2016. Contudo, o prazo foi prolongado para 2020 em uma reunião que aconteceu em 2014, sendo que depois disso as nações envolvidas concordaram que seria possível operar a ISS pelo menos até 2024. Por isso mesmo, os EUA avisaram que a ideia é cortar o orçamento estadunidense para a estação até 2025, um ano depois desse último prazo.

Depois disso, ainda é incerto o futuro da ISS. Se os EUA privatizarem suas seções da estação, ela pode continuar "viva" com o financiamento das empresas privadas, que, de repente, poderiam iniciar um programa turístico para lá a fim de viabilizar essa empreitada financeiramente. Caso isso não aconteça, também não está claro como a Rússia conseguiria manter sua fatia da ISS em funcionamento.

É que com o avanço do Commercial Crew Program da NASA, com o qual a agência espacial passará a contar com a Boeing e a SpaceX no envio de astronautas à ISS a partir do ano que vem (ou seja, deixando de pagar as dezenas de milhões de dólares por cada assento na nave russa Soyuz, que vem fazendo esse transporte aos norte-americanos desde 2011), o programa espacial russo verá muito menos dinheiro entrando para manter seus projetos em dia (o que inclui a ISS). O país já vem sentindo as primeiras consequências dos avanços da SpaceX com seus foguetes reutilizáveis — e com um orçamento cada vez menor para as atividades espaciais, fica a questão no ar de como a Rússia vai conseguir assumir a ISS, se os EUA ficarem mesmo de fora, já que operar a estação custa mais do que todo o orçamento anual que a Roscosmos recebe para operar.

Talvez isso aconteça com o turismo espacial, com a Rússia vendendo ingressos caríssimos para pessoas comuns e endinheiradas visitarem a ISS. Resta acompanhar o desenrolar dessa história nos próximos anos para descobrirmos se a ISS realmente está com os dias contados, ou se ainda há uma luz no fim do túnel.

Fonte: TASS

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

O céu (não) é o limite | O que está rolando na ciência e astronomia (09/01/2019)

Abaixo, você confere o que rolou de mais interessante no universo da ciência e da astronomia desde o primeiro dia de 2019:

New Horizons em Ultima Thule

                            Este é Ultima Thule, com mapenas 33km de extensão (Foto: NASA) 

No primeiro dia de janeiro, a NASA anunciou que a sonda New Horizons fez um sobrevoo com sucesso pelo objeto 2014 MU69, apelidado de Ultima Thule, que fica no Cinturão de Kuiper junto a muitos outros pequenos objetos que datam dos primórdios da formação do Sistema Solar.

Os dados coletados chegarão pelos próximos 20 meses (com imagens mais nítidas e com maior resolução chegando em fevereiro), mas a agência espacial já conseguiu fazer algumas descobertas iniciais. Primeiro, seu formato: o objeto tem o formato parecido com o de um boneco de neve, sendo, na verdade, a combinação de dois corpos que se chocaram tão lentamente um contra o outro, que foi possível um "encaixe". Sua coloração é avermelhada na superfície, e não há evidências de que o objeto tenha satélites próprios ou uma atmosfera.

Ultima Thule está localizado a 6,4 bilhões de quilômetros da Terra e, caso haja verba para tal, a sonda New Horizons pode ter sua trajetória alterada mais uma vez para estudar outros objetos na mesma região, antes de "morrer", já que tem combustível para durar até a década de 2030.


Pluma vulcânica avistada pela Juno em Io, lua de Júpiter


Apesar da baixa resolução, dá para ver a pluma vulcânica sendo expelida no centro de Io, exatamente na linha que divide o lado recebendo luz solar e o lado onde era noite. A foto foi tirada a 300 mil km de distância (Foto: NASA)


Estudando Júpiter e suas luas desde 2016, a sonda Juno, da NASA, capturou uma imagem mostrando uma pluma vulcânica sendo expelida na lua Io. A imagem foi registrada no dia 21 de dezembro. Já era sabido que Io tem atividade vulcânica desde 1979, com essa atividade sendo estimulada pela extremamente intensa gravidade de Júpiter.

Pouso histórico no lado afastado da Lua


A agência espacial chinesa entrou para a história da exploração espacial ao pousar, pela primeira vez, uma sonda no lado afastado da Lua. A Chang'e 4 levou consigo um rover exploratório para estudar a cratera Von Kárman, criada a partir de um impacto gigantesco que aconteceu há bilhões de anos. Ali, a Chang'e 4 estudará a geologia do hemisfério lunar que nunca pode ser visto da Terra, estudando também a viabilidade de se cultivar vegetais por lá — já de olho em missões espaciais futuras.


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Chang'e-4 lunar probe lands on largest crater in solar system. The precise landing will help prepare China for its following lunar exploration and future expeditions to other planets http://xhne.ws/3m1vs 
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Colisão entre a Via Láctea e a Grande Nuvem de Magalhães

Dentro de 2 bilhões de anos, a nossa galáxia deverá se colidir com a Grande Nuvem de Magalhães, galáxia-satélite da nossa. O encontro poderá "despertar" o Sagittarius A, buraco negro supermassivo que fica no centro da Via Láctea. Com isso, radiação de alta energia será liberada, e pode ser que o Sistema Solar seja "lançado" para o espaço.
Mas é pouquíssimo provável que o Sol e seus planetas sejam afetados de maneira catastrófica, então se até lá a humanidade ainda existir, o máximo que pode acontecer é que testemunhem um espetacular show de "fogos de artifício" cósmicos no céu.

Identificada a fonte da ansiedade no cérebro

Um estudo conduzido por neurocientistas da Universidade da Califórnia mostrou que a equipe identificou as "células da ansiedade" no cérebro, que ficam localizadas no hipocampo. Elas não apenas regulam o comportamento ansioso do indivíduo, como também podem ser controladas por um feixe de luz.
Experimentos em ratos de laboratório mostram que é possível, portanto, silenciar as células que acionam a ansiedade, surgindo uma luz no fim do túnel para milhões de pessoas em todo o mundo que sofrem com transtornos de ansiedade e dependem de medicamentos para controlar os sintomas. Com uma técnica chamada optogenética, a equipe conseguiu direcionar um feixe de luz sobre as células, conseguindo silenciá-las efetivamente e, assim, observando que os níveis de ansiedade dos ratos se reduziram de maneira significativa.

Fonte: www.canaltech.com.br