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quinta-feira, 30 de maio de 2019

Regulamentação para o uso de drones completa dois anos e prevê mudanças


*Por Emerson Granemann

O setor de drones não para de crescer e os números comprovam essa máxima. De acordo com os últimos dados divulgados pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), em maio deste ano, existem hoje 68 mil drones cadastrados no país – sendo 65% para uso recreacional e 35% para uso profissional. Já o número de pessoas cadastradas para operar os drones é de 52 mil, sendo 93% de pessoas físicas e 7% de pessoas jurídicas. Segundo a MundoGEO – empresa promotora da maior feira de drones da América Latina, a DroneShow –, a expectativa é que o setor tenha um crescimento de 25% em 2019, superando os mais de 400 milhões do faturamento alcançado em 2017.

Ainda falando sobre dados, a estimativa é de que existam atualmente mais de 30 mil profissionais trabalhando com drones distribuídos pela cadeia produtiva e usuária do setor, formado por fabricantes, importadores de drones, treinamentos, manutenção e uma ampla gama de prestadores de serviços. Com o crescimento exponencial do mercado, notamos também que há uma ampliação nos tipos de empresas que prestam serviços: as mais antigas que usavam outras plataformas já estão incorporando a tecnologia para ampliar sua oferta de serviços e atender aos grandes demandantes das informações geradas pelos drones. Com um mercado aquecido e com inúmeras possibilidades de aplicações profissionais dos drones, segmentos como agricultura, mapeamento, segurança, inspeções e monitoramento de obras ganham cada vez mais espaço. O setor deve ser impulsionado, ainda mais, a partir de 2020, pelos avanços na regulamentação para o uso do equipamento no país.

No Brasil, quatro órgãos cumprem o papel regulatório. Começando pela Anatel(Agência Nacional de Telecomunicações), na qual todos os drones devem ser homologados. Em seguida, a ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), responsável pela validação dos projetos e registro dos drones e proprietários. Com este certificado, estes modelos podem realizar operações acima dos atuais limites de 120 metros de altura e voar além da linha de visada, podendo ser pilotados efetivamente de forma remota. Já o DECEA (Departamento de Controle do Espaço Aéreo) autoriza cada operação respeitando os limites de segurança previstos na legislação e tem como missão controlar o espaço aéreo coordenando as operações entre as aeronaves tripuladas e não tripuladas como os drones, bem como restringir as operações próximas a aeroportos, presídios e outras áreas de risco.

E por fim, o quarteto de órgãos reguladores é composto pelo Ministério da Defesa (MD), que entra em cena quando o assunto é mapeamento de precisão com drones. Pelas regras atuais, as empresas precisam ser registradas no órgão, comprovando capacidade técnica, financeira e instalações adequadas para atuar com a tecnologia. Além disso, a cada nova missão uma nova autorização deverá ser emitida pelo MD, respeitando os procedimentos para as empresas que executam o aerolevantamento usando aviões tripulados. Estes procedimentos e exigências foram criados respeitando a legislação da década de 1970. No entanto, muita coisa mudou com relação as tecnologias e plataformas de coleta de dados da superfície do Brasil. Vieram os satélites de alta resolução e, agora, os drones. A boa notícia é que, para suprir essa lacuna, o Ministério da Defesa lançou em dezembro de 2018 uma portaria flexibilizando as operações a partir de limites de área e tipos de mapeamentos.

Todos estes órgãos estão sendo muito receptivos para ouvir as reinvindicações da comunidade, que pede por ajustes na regulamentação devido aos avanços tecnológicos e as novas demandas de aplicações para o setor de mapeamento, delivery e inspeções dos mais diferentes tipos. Existem vários projetos de drones tanto nacionais quanto importados em fase de aprovação na ANAC, e alguns já foram liberados, como os modelos de asa fixa Arator, produzido pela empresa brasileira Xmobots e, o modelo Ebee da marca suiça Sensefly, distribuído no Brasil pela Santiago e Cintra. Esta última teve seu projeto aprovado através da Startup Paulista Al Drones, especializada em aprovação de projetos aeronáuticos de veículos remotamente pilotados.

O tema será debatido durante da DroneShow 2019, que acontece entre os dias 25 e 27 de junho, em São Paulo. O evento reúne o 7º Fórum Empresarial de Drones, com mais de 30 atividades como e seminários e uma feira de tecnologia com a participação de 80 marcas. O encontro tem como objetivo proporcionar a atualização tecnológica, troca de experiências com as entidades reguladoras, fortalecimento do ambiente empresarial e aproximação com a comunidade. A feira DroneShow tem a expectativa de atrair mais de 3,5 mil participantes, quantidade alcançada na última edição em 2018.

Fontes: Canaltech/*Emerson Granemann é CEO da MundoGEO e idealizador dos eventos MundoGEO Connect e DroneShow. Engenheiro Cartógrafo, trabalhou no setor de aerofotogrametria e geoprocessamento. Atualmente tem como propósito propagar as geotecnologias e os drones para usos profissionais. É coordenador do Fórum Empresarial do setor.

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Cientistas treinam drones 'ninjas' que desviam de objetos à queima-roupa


Pesquisadores da Universidade de Zurique, na Suíça, criaram um mecanismo que deixa drones mais inteligentes em reação. Eles conseguiram treinar quadricópteros a ponto de eles desviarem de objetos arremessados contra eles à queima-roupa — tudo de forma automática e com reações bastante rápidas.

A tecnologia responsável por isso é a chamada "câmera de evento", que é diferente das tradicionais. Esse método detecta uma mudança brusca de pixels no campo de visão, o que indica que algo diferente apareceu nas proximidades e está indo na sua direção. É isso que permite a geração de uma ação de desvio em um tempo de resposta praticamente imediato.

Normalmente, você pode desestabilizar ou até derrubar um modelo tradicional se conseguir acertar um objeto nele de forma certeira, já que um drone (mesmo autônomo) não tem um mecanismo para esquiva. O máximo que ele faz é contornar obstáculos fixos, como uma árvore ou um poste. O vídeo abaixo mostra bem como isso funciona: 
Por enquanto, ainda há várias dificuldades em implementar essa tecnologia. Câmeras de evento são bastante caras e por enquanto inviáveis comercialmente. Além disso, há alguns problemas técnicos, como maior gasto de energia e necessidade de ter um motor poderoso para fazer os movimentos rápidos.

Ainda assim, os pesquisadores estão confiantes na tecnologia. Se colocada na prática, ela que pode fazer com que drones desviem de pessoas numa multidão ou pássaros no céu, por exemplo, e evitem acidentes ou colisões com objetos em movimento.


sábado, 20 de abril de 2019

Empresa de drones da Google inicia serviço de entregas na Austrália



A Wing, divisão da Alphabet (empresa dona da Google) que atua no setor de entregas através de drones, vinha testando a entrega de produtos em domicílio há 18 meses, numa região de Camberra, capital da Austrália. Neste período, três mil entregas foram realizadas.

Agora, a Wing recebeu o aval da Autoridade de Segurança da Aviação Civil (CASA, na sigla em inglês) da Austrália para iniciar seu serviço de entregas em domicílio em caráter comercial.

De acordo com o CASA, provavelmente, esta é a primeira vez que um serviço de entrega de produtos via drone é regulamentado para operar comercialmente e aberto ao público em geral. Isso significa que a Wing saiu na frente de sua maior concorrente, a Amazon, que, por enquanto, só realiza entregas em caráter experimental.


Fonte: Wing

O serviço vai começar fazendo entregas para 100 residências, em três bairros de Camberra, com sua expansão programada para as próximas semanas e meses. Será possível receber, em casa, e em poucos minutos, vários produtos pequenos, como mantimentos, lanches, remédios e objetos diversos. A Wing vai trabalhar em parceria com as empresas que comercializam esses produtos. Quanto mais parceiros, maior será a variedade de produtos disponibilizados para entrega.

O CASA permitiu o funcionamento das entregas de segunda a sábado, entre as sete da manhã e oito da noite, e aos domingos e feriados, das oito da manhã às oito da noite. Para evitar acidentes, os drones não poderão sobrevoar as ruas principais, além de manter o voo numa altura de cinco metros e um afastamento de dois metros da linha de direção dos clientes, no momento das entregas. Os clientes também receberão orientações de como interagir com os equipamentos, a fim de maximizar a segurança.

O próximo passo da Wing é iniciar seus testes com entregas via drones na cidade de Helsinque, capital da Finlândia.


segunda-feira, 15 de abril de 2019

Polícia Militar de São Paulo usará drones em programa de vigilância



O governo de São Paulo informou na última sexta-feira (13) que a Polícia Militar do estado usará drones em um novo programa de vigilância.

 Chamado de Dronepol, o projeto foi anunciado pelo governador João Dória e contará com a aquisição de 208 drones que custarão aos cofres públicos mais de R$ 6,3 milhões.

Os novos equipamentos serão adquiridos por meio de licitação ainda neste semestre, com as entregas programadas para ocorrer até outubro. Todos eles farão parte do sistema integrado “Olho de Águia”, da Polícia Militar, que monitora locais em tempo real e envia todas as imagens para o Centro de Operações da PM.


Mais barato que um helicóptero


Em comunicado à imprensa, o governador paulista citou um custo operacional menor na comparação com o uso de helicópteros para defender o uso dos veículos aéreos não tripulados.

“O custo operacional para drone é 140 vezes menor do que o custo operacional de um helicóptero da Polícia Militar”, afirmou Dória. “E a funcionalidade e eficiência chega a ser superior, dado ao fato de que o drone pode fazer voos em baixa altitude”, completou.

Os policiais responsáveis pela operação dos drones passarão por treinamento específicos e os drones deverão atender às especificações da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), do Departamento de Controle e Espaço Aéreo (DCEA) e da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Fonte: REUTERS

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Cientistas testam “drones-espantalhos” para afastar pássaros de lavouras



Desde o começo do desenvolvimento da agricultura, os seres humanos procuram formas de manter pássaros longe de suas plantações. Os animais podem devastar certos tipos de lavouras, mas muitos consideram cruéis as formas de afastá-los. Pensando nisso, cientistas da Universidade de Sidney, na Austrália, buscaram na tecnologia uma forma de proteger a produção sem prejudicar a fauna local.

Agrotóxicos e repelentes químicos podem ser prejudiciais à saúde e ao ambiente; Redes de proteção e falcões treinados são caríssimos; Sons altos, dardos envenenados e espantalhos oferecem ajuda temporária, mas a longo prazo os animais se adaptam e elas deixam de funcionar. A partir dessas informações o engenheiro aeroespacial, Zihao Wang, e outros pesquisadores passaram a estudar métodos mais efetivos e baratos de proteger as plantações.

Em seu estudo publicado na Science Direct — intitulado “Guerra psicológica no vinhedo: Usando drones e psicologia de aves para controle de danos às uvas” — eles explicaram como conseguiram fazer com que um drone afastasse bandos de pássaros de vinhedos. O método desenvolvido por eles trouxe resultados positivos e muito mais acessíveis, principalmente para pequenos produtores rurais, já que drones podem ser controlados a distância. 

 Reprodução/Zihao Wang/Universidade de Sidney

No experimento, os pesquisadores adaptaram um drone comum de seis hélices com um corvo empalhado e caixas de som que emitiam sons de diversos tipos de aves. A ideia era assustar os animais que — em teoria — pensariam que o corvo empalhado foi capturado por algo que poderia machucá-los também. O estudo foi bem-sucedido em afastar os bandos das plantações, que foram embora definitivamente ou ficaram longe por um período.

Segundo o portal The Next Web, que divulgou a pesquisa, o estudo ainda precisa ser aprofundado, já que foi feito com apenas algumas espécies que podem, eventualmente, se adaptar aos drones. Ainda assim, os resultados são promissores no que se refere a incorporação de novas tecnologias na produção de alimentos e diminuição do impacto ambiental que elas podem causar.

As espécies estudadas por Wang foram corvos, cacatuas, estorninhos e silvereye (Zosterops lateralis), todas nativas ou com presença abundante nas plantações australianas.


segunda-feira, 4 de março de 2019

Drone de uso policial ajuda equipe da SWAT a prender bandido armado



Além de filmagens e simples passeios pelo céu, drones já fazem parte de esquadrões policiais ao redor do mundo. 

Segundo o jornal San Jose Mercury News, um homem armado no início deste mês fez um refém em um restaurante Denny’s, na cidade de Campbell, Califórnia. O bandido permaneceu no local por 12 horas, até que uma equipe da SWAT conseguiu fazê-lo sair e se entregar.

A SWAT estava muito bem equipada, como sempre, e chegou a enviar um robô caça bombas para dentro do prédio, para tirar fotos do suspeito, além de usar um dispositivo sonoro para perturbá-lo.

No entanto, o sucesso da missão só veio quando a equipe da polícia resolveu utilizar o drone US-1, da Impossible Aerospace.

Fonte: Impossible Aerospace

Eles jogaram uma bomba de gás lacrimogêneo para forçar o suspeito a abandonar o local. Com a visão privilegiada do drone, com suas câmeras e sensores térmicos, os policiais puderam verificar que o gás estava vazando por outro cômodo, ao invés de ficar concentrado no ambiente em que o meliante se encontrava. Então, a polícia resolveu usar uma outra bomba de gás que, desta vez, caiu no local correto, fazendo com que o bandido saísse do prédio e se entregasse.

Na ocasião, o capitão da polícia de Campbell, Gary Berg, confirmou que o uso do drone foi de essencial importância para o sucesso da prisão do bandido, sem a necessidade de expor os policiais e a vítima a riscos, já que o drone filmou o local por 45 minutos ininterruptos e transmitiu as imagens ao vivo para quem o operava em solo.

Em 2018, a Impossible Aerospace lançou um drone que pode voar por até duas horas (120 minutos) com uma carga completa. O modelo vendido para a SWAT pode se manter em voo por uma hora e meia (90 minutos).

É interessante ver os drones sendo cada vez mais utilizados por empresas e órgãos ligados ao governo, em diversas atividades diferentes.