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sábado, 1 de junho de 2019

Não reclame da falta de privacidade no Facebook, ela não existe


O advogado-conselheiro do Facebook Orin Snyder está lidando com o processo da Cambridge Analytica, que abusou de dados de usuário da rede social para fins políticos. Uma frase dita por Snyder, contudo, jogou gasolina na discussão: “Não há qualquer tipo de invasão de privacidade, porque não há privacidade”.

"Usuários não devem ter uma “expectativa razoável de privacidade”

Ao juiz responsável pelo caso, não houve negação de que terceiros acessaram os dados. Contudo, para “limpar a barra” da empresa, o advogado ainda comentou que os usuários não devem ter uma “expectativa razoável de privacidade” quando entram em redes sociais.

Mesmo assim, sempre que toca no assunto, o Facebook comenta sobre os investimentos que faz nas equipes de segurança e nas melhorias sobre privacidade que chegaram e devem chegar na rede social.

Fonte: CNET

domingo, 24 de fevereiro de 2019

Facebook tem lista de usuários e de ex-funcionários que considera suspeitos



Em português, BOLO pode ter vários significados, como uma comemoração ou o não comparecimento a um compromisso. Para o Facebook, essa palavra é um código de ameaça, acrônimo de “Be On Lookout” – algo como “Fique de olho”, em tradução livre – e se refere a uma lista de pessoas que a rede social considera potencialmente perigosas para a empresa.

O assunto veio à tona após uma matéria da CNBC – mídia especializada no setor de negócios – na qual ex-funcionários e pessoas ligadas ao Facebook revelaram diversos detalhes sobre a lista. Apesar de não haver regras claras para alguém ser incluído, os entrevistados apontaram alguns motivos comuns: ser ex-funcionário ou ex-prestador de serviços da companhia e xingar Zuckerberg ou fazer algum tipo de ameaça à empresa, a seus colaboradores ou a seus usuários.


Segundo quatro ex-colaboradores da área de segurança da empresa, BOLO hoje é composta por centenas de indivíduos e atualizada toda semana – sempre que alguém é adicionado, os funcionários são notificados. Para formar o perfil dos suspeitos, as informações são rastreadas e compartilhadas dentro da companhia, de modo que é possível ter acesso a nome, foto, localização geral e uma rápida descrição sobre o motivo da inclusão na lista.

A existência de BOLO já causou vários momentos embaraçosos nos escritórios do Facebook, nos quais as fontes relataram que até certo ponto houve um monitor com a imagem das pessoas suspeitas. A própria CNBC afirma ter tido acesso a fotos que comprovam esse fato.


Um porta-voz da empresa garantiu à CNBC e a outras mídias internacionais que há uma revisão rigorosa para determinar a validade do que seria considerado ameaça. Também informou que as investigações são feitas em casos extremos e que as leis de privacidade de dados dos usuários são seguidas à risca.

A situação tem rendido algumas discussões. Por um lado, é compreensível que o Facebook tome medidas para proteger seus negócios e a segurança de seus funcionários, afinal ataques potenciais a empresas de grande visibilidade existem o tempo todo. Por outro lado, fica a dúvida se todas as pessoas que tiveram dados pessoais importantes compartilhados representam mesmo um perigo real.

Fontes: CNBC  GIZMODO

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Site expõe como a Apple tem ajudado o governo da China a censurar seus cidadãos



Um novo website criado por pesquisadores da Great Fire, uma organização que monitora a internet chinesa para saber o que o governo está censurand, mostra aquilo que a Apple tenta esconder do público com todas as suas forças: o modo como a empresa tem ajudado o governo chinês a censurar o acesso à informação da população.

Conhecido como AppleCensorship.com, o site mostra quais apps não são acessíveis na Apple Store da China, indicando aqueles que foram removidos pela empresa a pedido de Pequim. Entre os apps censurados, é possível encontrar diversos aplicativos de notícias, de informações sobre direitos humanos e liberdade religiosa, além de apps cujo objetivo é melhorar a segurança da navegação e a privacidade dos usuários.

O fato de a Apple cooperar com o governo chinês não é novidade: em 2017, a empresa admitiu para senadores dos Estados Unidos que havia removido da App Store chinesa mais de 600 VPNs — apps que impediam que a navegação dos usuários fosse espionada pelo governo e o acesso a sites bloqueados no país. Mesmo assim, a empresa nunca revelou quais eram esses apps e nem se chegou a deletar outros programa a pedido do governo chinês.

O site revela que, além de VPNs, a Apple também não permite que usuários da China tenham acesso a apps de diversas organizações de notícias, incluindo o New York Times, a Radio Free Asia, o Tibetan News e a Voice of Tibet. Os usuários do país também não conseguem acessar aplicativos como Tor e Psiphon (apps que permitem evitar as ferramentas de censura da internet da China), a busca do Google e o Google Earth, o app Bitter Winter (que possui informações sobre direitos humanos e liberdade religiosa na China) e um app da Autoridade Central Tibetana, que divulga informações sobre problemas sociais e direitos humanos de cidadãos do Tibet.

De acordo com Charlie Smith, cofundador da Great Fire, a motivação para a criação do site foi o fato de a Apple não ser nada transparente com os conteúdos que ela tem censurado na App Store da China, e muitos desenvolvedores só percebem que seu app foi censurado ao encontrarem uma queda repentina no tráfego e investigar a causa do problema.

Por enquanto, o site ainda não consegue dizer exatamente qual foi o motivo da retirada do app, então não dá pra dizer com certeza se um app foi removido da loja por causa da censura a informações e liberdade de expressão promovida pelo governo chinês ou se por violar outras leis do país, como por exemplo a que proíbe todos os tipos de jogos de azar. Mas, ainda que o site em si não forneça essas informações, é fácil descobrir o motivo ao procurar saber o conteúdo do app removido ou então procurar se ele está disponível em outros países que possuem leis parecidas (no caso de remoção por motivo de jogo de azar).

Por exemplo, a Radio Free Asia há décadas é censurada pelo governo chinês por conta de seu trabalho de reportar abusos aos direitos humanos cometidos na China por órgãos do governo. Desde a década de 1990 as transmissões da rádio são bloqueadas no país, e agora sabemos que a Apple tem ajudado a bloquear o acesso aos conteúdos dela pela internet.
Em entrevista ao site The Intercept, Rohit Mahajan, porta-voz da Radio Free Asia, revelou que, em dezembro do ano passado, um representante da Apple havia informado ao veículo que o app deles havia sido removido da App Store na China devido a “motivos legais”, mas não ofereceu nenhuma chance de a empresa se defender ou apelar da decisão.

Perguntada sobre o assunto, a Apple se recusou a falar sobre a remoção de apps específicos da App Store da China e apontou uma cláusula nas regras de uso de sua loja virtual que exige que os apps estejam de acordo com as leis específicas de cada país onde serão lançados. Além disso, a empresa disse que se reserva ao direito de removê-los de lojas específicas caso o aplicativo viole alguma lei local.

Tim Cook, CEO da Apple, tem publicamente se colocado como um defensor da privacidade dos dados dos usuários, declarando em outubro do ano passado que “a privacidade de dados é um direito humano fundamental” — e é essa defesa o pivô da briga com o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg. Apesar disso, o chefão da Maçã tem defendido algumas decisões polêmicas para poder operar dentro da China, como a permissão para que uma empresa estatal chinesa seja a responsável por gerenciar os servidores o iCloud no país, dando ao governo acesso a todos os dados de todos os usuários de iPhone no país.

Do ponto de vista de negócios, é fácil entender porque Cook defende esse acordo: afinal, aceitar ele era uma obrigação imposta pelo Partido Comunista para que a Apple tivesse acesso ao mercado do país, um dos mais lucrativos do mundo e que possui mais de 800 milhões de usuários de internet. Mas, ao mesmo tempo, pega mal para alguém que se expõe tanto como “defensor da privacidade” ajudar tão tranquilamente um governo que quer monitorar todas as atividades de seus cidadãos 24h por dia.

Fonte: The Intercept


quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Google usou malandragem na App Store para distribuir app espião a usuários


Ontem (30), o Facebook foi alvo de uma nova polêmica após vir à tona que a rede social pagava jovens usuários para espioná-los por meio do app Facebook Research. Hoje (31) é a vez da Google passar pela mesmíssima situação.

Segundo o TechCrunch, a Gigante da Web usava o app Screenwise Meter para trocar vale-presentes por dados e, assim como o Facebook, também teria violado as diretrizes da App Store. A Google distribuía o aplicativo como se ele fosse um serviço interno da empresa para poder coletar informações dos usuários, algo que a loja de apps da Apple não permite em programas oferecidos ao grande público.

Para levar a cabo o “drible” nas defesas da App Store, a Google pedia que usuários com mais de 18 anos baixassem o Screenwise Meter e usassem um código especial durante a configuração. Esse código era o Certificado de Empresa da Apple, que atestava para o sistema o uso do app por alguém de dentro da Google.


Google se desculpa


Em resposta à descoberta da violação das diretrizes da App Store, a Google pediu desculpas e afirmou que tudo não passou de um mal-entendido.

“O app Screenwise Meter para iOS não deveria ter operado sob o programa de empresa desenvolvedora da Apple — isso foi um equívoco e nós pedimos desculpas”, informou a companhia em comunicado.

“Nós desativamos este app nos dispositivos iOS. Ele é e sempre foi totalmente voluntário. Fomos sinceros com os usuários sobre a maneira como usamos os seus dados neste aplicativo, não temos acesso a dados criptografados em apps e dispositivos e os usuários podem deixar o programa a qualquer momento”, concluiu.


Transparência mas nem tanto


A sinceridade da Google com os usuários não é questionável, afinal a companhia de fato era bem clara sobre o que coletava e a forma como isso era usado. Ela tinha até mesmo uma espécie de "modo privado" que impossibilitava qualquer identificação de quem participava do programa.

Para além das questões de privacidade que estão implícitas neste caso, porém, fato é que a companhia usou de artifícios nada honestos para distribuir tal app ao público e oferecer a eles a chance de ganhar algum dinheiro em troca do monitoramento de suas atividades.

Vale lembrar que, ontem, após o caso do Facebook vir à tona, a Apple revogou as credenciais de empresa desenvolvedora da rede social dentro da App Store, o que teria limitado, inclusive, o funcionamento de versões para desenvolvedores de alguns apps da empresa. Até o momento, a Maçã não se pronunciou sobre o caso da Google, mas é de se esperar que a reação seja semelhante à desta quarta-feira.

Fonte: www.tecmundo.com.br