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segunda-feira, 18 de março de 2019

Google Maps começa a testar navegação com uso de realidade aumentada



O Google Maps começou a testar um novo modo de navegação com uso de realidade aumentada nos seus aplicativos para celular. Por enquanto, a ferramenta está disponível apenas para algumas pessoas cadastradas como Guias Locais na plataforma e permite que elas vejam instruções de como chegar ao destino no melhor estilo Pokémon GO.

Como você pode ver no vídeo abaixo, o aplicativo exibe uma seta apontando para a direção correta, além de um cartão azul mostrando o destino selecionado pelo usuário. Na parte inferior da tela, o Google Maps continua mostrando um mapa tradicional para auxiliar na navegação.


Como esperado, essa função só vai funcionar em dispositivos que tenham suporte ao kit de desenvolvimento ARCore do Google, o mesmo exigido pelo modo RA+ de Pokémon GO. Ela está em testes e ainda não há uma previsão para quando será disponibilizara para todos os usuários do aplicativo.

Fonte: PHANDROID

quarta-feira, 13 de março de 2019

Google, Pokémon e Harry Potter: a trajetória de realidade aumentada da Niantic


Quando criou, lá em 2001, a Keyhole, John Hanke talvez não imaginasse que suas pesquisas em geolocalização o levariam para o universo dos videogames. A sua companhia foi comprada em 2004 pela Google, sendo Hanke o responsável pela criação do Google Earth, então sistema revolucionário de mapeamento do globo terrestre.

Antes de ser comprada pela Google, a Keyhole já tinha produzido o Earth View, uma espécie de programa prévio ao Google Earth. Depois, Hanke também encabeçou projetos como Google Maps e Street View, todos sempre voltados para geolocalização e este setor. Mas como ele foi parar no cenário de games?

Para isso, é preciso voltar no tempo. Depois de se formar, trabalhar na imigração dos Estados Unidos e fazer projetos no Myammar, Hanke resolveu que era hora de seguir seu sonho. No início dos anos 90, ele se juntou ao amigo Steve Sellers e, juntos, montaram um startup em games chamada Archetype Interactive. O principal produto daquele momento era o desenvolvimento de um jogo chamado Meridian 59, um dos primeiros MMORPGs lançados no 3DO em 1996. Antes mesmo de o título chegar ao console, ambos venderam a empresa para a própria 3DO e Hanke daria um tempo dos jogos.

Só em 2010 é que ele fundaria a Niantic, empresa que nasceu dentro da Google como um braço para o desenvolvimento interno de alguns jogos, trabalhando com realidade aumentada.

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"This is one of those paradigm changes that happen maybe once a decade", said @johnhanke during his keynote at . Catch the talk in its entirety here: https://www.youtube.com/watch?v=Zs-T6HNPIkc …
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Todo esse passado do CEO da Niantic é importante para mostrar a ferramenta mais importante que a companhia já construiu com a Keyhole em 2001: a sua capacidade de usar mapeamento e geolocalização.

Os anos de desenvolvimento desta tecnologia culminaram no que hoje é o Niantic Real World Platform, um sistema já avançado de mapeamento unido com realidade aumentada.


“Entendo a realidade”


A tecnologia foi apresentada em junho do ano passado em post da própria companhia. A desenvolvedora adquiriu no começo de 2018 a Escher Reality, uma companhia voltada a produzir realidade aumentada em escala global. Além disso, a Niantic também comprou a Matrix Mill, empresa que desenvolve sistemas de machine learning para aparelhos de realidade aumentada.

A proposta dessas companhias foi ajudar a fazer o que eles chamam de RA Avançada. Para conseguir fazer uma projeção em um ambiente tridimensional plano (em cima de uma mesa lisa, por exemplo), há menos esforço do que em um local mais complexo (em meio a árvores, por exemplo).

Para isso, é preciso que, antes de projetar um objeto, o app seja capaz de “entender a realidade” a sua volta. Então as duas empresas precisam trabalhar coordenada para reconhecer o que está na tela e propor um tipo de projeção em realidade aumentada.

No exemplo dado pela Niantic, há uma sala de reunião na qual o app precisa projetar um Pikachu. Contudo, a ideia é que ele apareça em cima da cadeira e não da mesa. Para colocá-lo na posição correta, é preciso que o sistema de machine learning reconheça o que é cadeira e mesa para só então colocar o Pikachu na posição correta.

Sistema de machine learning de realidade aumentada (Foto: Niantic)

Outra proposta também é permitir que o sistema de realidade aumentada possa reconhecer e interagir com o mundo a sua volta. Por exemplo, em jardim, no sistema de realidade aumentada convencional, a projeção se sobrepõe à uma coluna ou mureta. Na RA Avançada, a projeção desaparece sempre que o objeto se esconde atrás de alguma coisa, dando uma profundidade 3D muito maior para o sistema de realidade aumentada.



O mundo de Ingress


Em 2014, a Niantic lançou Ingress, um game que instigava o jogador a sair pelas ruas de sua cidade em busca de portais que precisavam ser fechados para salvar a humanidade. O game chegou a ter mais de 7 milhões de jogadores em seu auge, em 2015, mas, para além do sucesso em vendas, ajudou a Niantic a criar algo ainda maior.

Ao colocar milhões de smartphones seguindo um mapa e interagindo com cenários por realidade aumentada, a empresa foi alimentando um banco de dados de mapeamento de regiões com mais jogadores e locais com os quais eles mais interagiam.

Ingress também incentivava que as pessoas indicassem pontos em que os portais poderiam ser criados, geralmente marcos turísticos como estátuas, pinturas, pontos de ônibus, museus e outros.

Toda essa experiência de 7 milhões de usuários foi suficiente para que a companhia fechasse negócio com a The Pokémon Company para o desenvolvimento de um título semelhante com a franquia da Nintendo e sua turma.

O investimento de US$ 30 milhões foi tão grande que a companhia se desligou da Google e passou a funcionar de forma independente da gigante de tecnologia.

Assim, quando o fenômeno Pokémon Go chegou ao mercado, em 2016, já contava com todo o mapeamento de pontos importantes de Ingress, os quais foram usados como PokéStops neste novo game.

Essa mesma Niantic Real World Platform está sendo usada no título em desenvolvimento da companhia em conjunto com a WB Games, chamado de Harry Potter: Wizards Unite. Hanke, em apresentação na sede da empresa em San Francisco, informou que esta plataforma é o que permite que a companhia não precise começar sempre do zero quando vai criar novos games, deixando que os desenvolvedores sempre adicionem novas ferramentas de mapeamento e realidade aumentada.

Assim, Wizards Unite chega com o mesmo sistema de mapas e locomoção usados em Ingress e Pokémon Go, mas adiciona uma nova tecnologia de realidade aumentada: aqui é possível fazer uma volta em 360 graus no personagem, aproveitando mais de ferramentas de desenvolvimento. O jogo chega ainda este ano para iOS e Android.

Presente e futuro


A Niantic conta atualmente com uma sede para uma centena de funcionários no Porto de São Francisco, escritório em um dos principais pontos turísticos da cidade. A escolha do lugar faz referência ao The Niantic, um icônio navio que era um dos principais transportadores de ouro na época da corrida pelo metal na década de 1840 na Califórnia. Várias peças deste navio ficam em exposição na entrada da empresa.

Em janeiro deste ano, a Niantic também recebeu mais uma rodada de investimentos de US$ 245 milhões da Institutional Venture Partners (IVP). A proposta é investir em novas tecnologias para o sistema da companhia.

Ela também anunciou no final do ano passado que já está começando pesquisas para aproveitar possibilidades da implementação do 5G em todo mundo. “Para conquistarmos esse objetivo, anunciamos uma parceria com a Deutsche Telekom - e com seus servidores MobiledgeX Edge e rede 5G - em novembro de 2018 com o intuito de criar experiências do usuário finais altamente escaláveis”, informa a companhia. A ideia é acelerar o desenvolvimento de novas APIs que possam integrar tecnologias de realidade aumentada voltadas para o 5G, entre elas a computação em nuvem para plataformas mobile.

Por fim, a empresa também está trabalhando em sistemas de jogo multiplayer para que várias pessoas possam interagir com uma mesma projeção. O desafio é fazer com que todos jogadores participem de um mesmo cenário sem que haja latência.

Atualmente, a Niantic trabalha com dois projetos para demonstrar esta ferramenta. O Codename Neon é um jogo em demonstração que coloca os participantes em um ambiente competitivo em que precisam se acertar com raios. Todos em um mesmo servidor, eles conseguem ver quem atira em quem.


Já o Codename Tonehenge busca mostrar a interação entre vários jogadores em um ambiente cooperativo, em que precisam movimentar estátuas e resolver quebra-cabeças em conjunto. 

Ambos, apenas em demonstração, não têm precisão nem confirmação de lançamento.


Fonte: Niantic (1) (2), Forbes, CNBC

segunda-feira, 11 de março de 2019

Hands-on | Harry Potter: Wizards Unite é igual a Pokémon Go, só que melhor



Harry Potter é uma das franquias mais rentáveis de todos os tempos, sobrevivendo com produções para o cinema, teatro e, claro, videogames. O bruxo mais famoso da cultura pop pode não ter ganho um lugar de destaque no mundo trouxa dos games, mas isso pode mudar em breve.

Isso porque a franquia vai ganhar ainda neste ano um novo título para Android e iOS. Harry Potter: Wizards Unite é a nova empreitada da Niantic, desenvolvedora de Pokémon Go, agora no universo do bruxo.

De cara, já é preciso dizer: mesmo usando muito das tecnologias e ideias já presentes em outros games da desenvolvedora, Wizards Unite traz muitas novidades, além de uma proposta bastante interessante.

O Canaltech foi convidado pela WB Games San Francisco a conhecer o estúdio da Niantic na cidade californiana e colocar as mãos pela primeira vez em uma versão prévia do game.

Antes de mais nada, é preciso dizer que este teste foi feito com uma versão não-finalizada do jogo em um ambiente bastante controlado. No grupo de jornalistas, fomos conduzidos por um caminho já preestabelecido pela Niantic, em um cenário roteirizado.

Também não foi permitido que filmássemos ou tirássemos fotos da tela, nem mesmo screenshots, sendo que todas as imagens deste texto foram cedidas pela própria equipe de comunicação de ambas companhias.

 

Desenvolvimento


Harry Potter: Wizards Unite começou a ser feito logo após o sucesso de Pokémon Go, lançado pela Niantic em julho de 2016. De lá para cá, ambas companhias passaram a desenvolver novas tecnologias e possibilidades para o título baseadas em três pilares.

O primeiro é o de manter o caráter exploratório do título. Assim como em Pokémon Go, o game leva o jogador a andar pela sua cidade com o celular na mão, interagindo com pontos importantes de territórios próximos.


Mapa é parecido com o de Pokémon Go (Foto: Diculgação/WBGames)

Junto disso, vem o segundo ponto: o de fazer com que o usuário se exercite. Já o último ponto é focado em comunidade, em fazer com que os jogadores se unam e compartilhem experiências em conjunto.

Do que se trata?

Harry Potter: Wizards Unite se passa nos dias de hoje dentro do universo da franquia. Os jogadores vão viver um recruta da Força-Tarefa do Estatuto de Sigilo (uma parceria entre o Ministério da Magia e a Confederação Internacional dos Bruxos). O motivo de se contratarem novos bruxos para o trabalho é a iminência da Catástrofe, em que o mundo bruxo está começando a ser exposto para o mundo dos trouxas.

Aliás, vale lembrar que J.K. Rowling, criadora da série, não participa da produção deste game, o qual é licenciado pelo selo Portkey Games, voltado a liberar a propriedade intelectual para jogos.

Tudo isso funciona de pano de fundo para ambientar o jogador em um universo no qual ele terá de lutar contra anomalias para que as pessoas normais não descubram o mundo bruxo.

Assim, quando você iniciar o game, poderá criar sua identificação no Ministério da Magia, com nome, foto e, claro, a qual casa você pertence.

O jogo também tem um sistema de “classes” em que você pode escolher ser um Auror, trabalhando direto com o ministérios; um Professor, focado no ensinamento e estudo de magias; ou mesmo um Magizoologista, uma espécie de historiador do universo mágico, mundo também de habilidades de poções e botânica.

Criado seu personagem com um avatar que pode ser personalizado com a sua foto, já é possível sair pelo mundo interagindo com tudo que há nele. À primeira vista, a interface lembra bem a de Pokémon Go.

Jogador pode escolher a profissão (Foto: Diculgação/WBGames)

O jogador será apresentado ao mapa baseado em sua localização, com alguns pontos com que pode interagir e edifícios mágicos. Vamos a eles primeiro.

Basicamente, existem três locais diferentes que um bruxo pode visitar em Wizards Unite. O primeiro é a pousada, onde o jogador poderá se alimentar com pratos típicos do universo de Harry Potter (prepare-se para aquela cerveja amanteigada). Eles servem para repor a barra de energia do seu personagem, utilizada para que você possa soltar as magias de sua varinha.

O outro lugar com que se pode interagir são as estufas. Aqui, você pega itens para serem usados em preparações de poções e outros tipos de objetos que podem ser criados. Esses itens podem ser usados antes ou durante uma luta para recuperar vida, energia ou modificar temporariamente parâmetros como força e velocidade.

Por fim, o jogador também pode encontrar fortalezas, as quais podem ser exploradas em caráter multiplayer em servidores locais. Este aspecto será esmiuçado mais a frente neste texto.

Além desses locais, o jogador também pode interagir com as calamidades, tipo de ação mais importante do game. A ideia é que se você encontrar uma anomalia ou ameaça, precisará colocar as coisas no lugar.

Nos nossos testes, por exemplo, encontramos o próprio Harry Potter sendo atacado por um dementador e foi preciso salvá-lo. Contudo, você também pode se deparar com inimigos soltos ou animais fantásticos e precisar escondê-los novamente do mundo dos trouxas.

As batalhas

O mais interessante deste novo game é, de fato, a forma como você enfrenta as ameaças. Munido de sua varinha, é preciso realizar as magias para resolver os problemas e isso não é tão simples assim.

No caso do dementador e Harry Potter, por exemplo, é necessário que você convoque seu patrono. Nesse momento, aparece na tela um movimento que você precisa fazer com os dedos para realizar a magia.


Em uma primeira vez, fiz o desenho na tela de forma displicente, mas só depois percebi que, quanto mais próximo do indicado o movimento, melhor ele sai. Assim sendo, para vencer em Wizards Unite é necessário precisão.

Esta minúcia é um detalhe que modifica completamente a jogabildade. Isso porque cada inimigo tem um nível de dificuldade, e realizar as sequências de golpes de forma precisa pode definir se você vai ou não conseguir vencê-lo.

Além disso, ser minucioso com o movimento da varinha tem muito a ver com toda a narrativa de Harry Potter. Afinal, quem não se lembra da cena em que Hermione explica a pronúncia correta da magia wingardium leviosa?

Lembra (Foto: Tenor)

Sob esta ótica, em meio aos testes, perguntei aos desenvolvedores se eles tinham alguma perspectiva de adicionar reconhecimento de fala no título ou mesmo usar o sensor de movimento dos smartphones para conjurar as magias. Isso até foi pensado no desenvolvimento, mas abandonado, pois poderia dificultar muito a jogabilidade e, assim, diminuir a quantidade de pessoas que poderiam se interessar pelo título mobile.

Realidade aumentada

O meu teste foi todo acompanhado por Alex Moffit, gerente de produto da Niantic. Ele explicou todas as novidades do título e prometeu pelo trajeto que haveria uma surpresa final. “Como diria Steve Jobs: “tem uma coisa a mais”, brincou.

Trata-se de uma nova ferramenta de Harry Potter: Wizards Unite que brinca com a ideia da chave de portal. Quem não está tão familiarizado com a série, as chaves de portal são objetos que podem ser usados para ativar a ligação entre locais, criando entre eles um portal.

Na medida em que se progride pelo mundo, você pode conseguir uma destas chaves e criar um portal: no caso de testes, era uma bota, como aconteceu nos livros.

Portal sendo aberto no mundo em realidade aumetada (Foto: Divulgação/WBGames)

O interessante é que a empresa conseguiu trabalhar muito bem a ferramenta de realidade aumentada, de forma que você pode criar um portal na sala da sua casa, por exemplo, e caminhar até ele.

Nos testes, abri uma passagem no porto em frente à Niantic, em São Francisco, pelo qual pude andar e “entrar” em um universo de realidade aumentada para a loja Olivaras, onde os personagens da série compram suas varinhas.

Aqui, peço uma licença para um relato pessoal. Uns seis meses atrás, viajei ao parque da Universal, em Orlando, onde há uma réplica do Beco Diagonal, onde fica a loja de varinhas.

As sensações de entrar em uma loja física baseada na série e também pela versão em realidade aumentada pelo Wizards Unite foram muito similares. Ou seja, é uma ferramenta que traz uma imersão muito grande, com um toque bastante mágico de parque de diversão para dentro do jogo da Niantic. De fato, essa foi a cereja do bolo desse teste. Infelizmente, não foi possível gravar a experiência

Outro ponto de realidade aumentada muito bem aproveitada são os novos kits de desenvolvimento que permitem recursos inéditos. Um deles é que, agora, os jogador pode dar a volta no objeto, observando todas as facetas dele. Embora Pokémon Goutilize realidade aumentada, ainda não era possível, por exemplo, ver as costas de um Pokémon. 
Essa é a diferença aqui.


Questionei Moffit sobre se outras ferramentas de ARKits seriam usadas aqui, por exemplo, como a de dois usuários poderem compartilhar de uma mesma projeção em realidade aumentada. O gerente de produtos informou que há estudos sobre isso, mas que não pode dar mais exemplos por enquanto. Contudo, o desafio é fazer com que o jogo tenha bastante possibilidades sem que isso limite os aparelhos compatíveis com todas as tecnologias presentes ali.

Vale reparar ainda que, assim como acontece em Pokémon Go, é possível aproveitar todo o jogo mesmo que o seu smartphone não seja compatível com realidade aumentada.


Multiplayer


Um dos pilares de Wizards Unite é exatamente a junção entre os jogadores. Pois bem, ele vai ter um caráter multiplayer, inserido nas fortalezas. Aqui, até 5 pessoas vão poder colaborar entre si para derrotar um grupo de inimigos nas masmorras e pegar os itens com experiência. A ideia é bem simples, mas se mostrou bastante interessante nos testes, sendo que parte importante da estratégia de vencer nos níveis mais difíceis possa ser sincronizar o que será feito em equipe. Ou seja, forçar a interação entre os participantes.


Dificuldades


Vale perceber que a Niantic, junto com a WB Games, está dando muito mais atenção para a versão de lançamento de Wizards Unite do que para a de Pokémon Go. Quem se lembra do app dos bichinhos de bolso lá em 2016 pode se recordar que ele chegou ao mercado bastante cru, com poucas ferramentas e um polimento bastante ruim.

Pela versão em primeira mão, percebe-se que há muito mais cuidado, recheio e polimento aqui. O game já está com muita coisa a se fazer, ler, acompanhar e batalhar.

Isso talvez aconteça por conta da principal desvantagem que a franquia Harry Potter tem com Pokémon: ela não aflora tanto o colecionismo de pegar todas as centenas de monstrinhos.

A Niantic sabe disso e já tentou empurrar este sentimento no novo título. O jogador vai contar com um caderninho no qual pode colar adesivos de criaturas com as quais já interagiu ou personagens icônicos da série que já ajudou, como Hagrid, Harry, Dumbledore e outros.


Isso pode instigar a pulguinha do colecionismo dos mais apaixonados por Harry Potter, mas dificilmente terá a mesma penetração que é caçar todos os pokémon em Go.

Outro fator limitante de Wizards Unite é o quão regional ele vai ser. Embora a série Animais Fantásticos no cinema ainda explore um pouco de outras localidades como Estados Unidos e França, é preciso reconhecer que Harry Potter é uma franquia genuinamente britânica em todas as suas características.

Por outro lado, os games da Niantic usam da geolocalização do usuário para passar a ideia de que todo enredo está passando no quintal de sua casa. Assim sendo, encontrar Pokémon pelo centro de São Paulo pode parecer mais crível do que dar de cara com um personagem de cachecol e sobretudo no verão brasileiro.

Claro que isso é apenas um detalhe, de forma que a cultura britânica de Harry Potter nunca foi um empecilho para fãs brasileiros.

Contudo, questionei Mary Casey, diretora executiva da WB Games San Francisco e responsável pelo enredo do game, sobre se haveria algum tipo de localização de conteúdo por países. Ela mesma assumiu que gostaria que isso acontecesse, mas que é bastante difícil pensar em produções para cada um dos locais do mundo, mesmo que seja para grandes mercados, como o Brasil.


Tem potencial?


Diante do que as empresas apresentaram neste primeiro momento, Harry Potter: Wizards Unite tem tudo para ser uma nova febre entre os jogos de smartphone. Contudo, diante das limitações culturais e de colecionismo, pode ser que não seja aquela loucura que foi no lançamento de Pokémon Go.

Contudo, este novo título já se mostra com muito mais conteúdo, possibilidades e ferramentas que seu antecessor. Wizards Unite também aproveita o Niantic Real World, a plataforma de mapeamento por geolocalização da desenvolvedora. Isso quer dizer que ele já chega com locais de destaques e mapeamento mais aprimorado do que Pokémon Go.

Outro ponto é que Wizards Unite também se mostra mais interessante e desafiador de jogar, atraindo também quem gosta de uma jogabilidade mais profunda.

Jogo tem registros como colecionáveis (Foto: Diculgação/WBGames)

Diante disso, é possível que ele seja o próximo grande sucesso da Niantic, mesmo sem ser o fenômeno que foi Pokémon Go.

A notícia triste é que ele ainda não tem data de lançamento confirmada, apenas com a informação de que chega ainda neste ano, tanto para Android quanto para iOS.

O título também será lançado em 17 línguas, entre elas, o português brasileiro. Aliás, o game não terá a voz dos atores originais, sendo totalmente dublado também na versão em inglês.

Perguntados sobre se ele teria um lançamento mundial ou se seria por regiões como aconteceu com Pokémon Go, a resposta foi que ainda não podem garantir nada.

Assim, vale esperar este ano, quando nós, trouxas, vamos poder ter o gostinho de ser um bruxo nos smartphones.

Fonte: CANALTECH