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segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Para afetar protestos, governo da Índia corta a internet de mais dois estados

O governo da Índia segue com o corte de internet nos estados de Assam e Meghalaya. A atitude da administração local visa conter os protestos dos cidadãos, que são contra um projeto de lei aprovado pelo parlamento local, que facilita o ganho da cidadania indiana para não-muçulmanos de três países vizinhos: Afeganistão, Paquistão e Bangladesh.

O motivo principal destes protestos, porém, não está somente nesta liberação para os vizinhos. Isso também está acontecendo porque os não-muçulmanos, que são minoria na Índia, não gozam da mesma facilidade que essa lei lhes dará.

As populações de Assam e Meghalaya, somadas, chegam a 32 milhões de pessoas e o mercado de internet indiano é o segundo maior do mundo, com 650 milhões de usuários conectados.
Assam, na Índia/ Imagem: Getty Images

O desligamento da Internet em Assam e Meghalaya, locais com mais de 32 milhões de pessoas, é o exemplo mais recente de uma tendência mundial preocupante empregada por vários governos: impedir que as pessoas se comuniquem na Web e acessem informações. E a Índia continua a exercer essa medida mais do que qualquer outro país.

O que dizem as autoridades?

Segundo alguns funcionários do estado de Assam, a medida visa evitar que boatos e informações falsas que provoquem as pessoas sejam espalhados. “Plataformas de mídia social como Facebook, WhatsApp, Twitter e YouTube provavelmente serão usadas para espalhar boatos e também para transmitir informações como fotos, vídeos e texto com potencial para inflamar paixões que exacerbam a situação da lei e da ordem”, disse o governo, em comunicado.

Logo após a aprovação do projeto de lei, os protestos se multiplicaram nas ruas de Assam e Meghalaya, onde os moradores se preocupam com a imigração dos habitantes dos países mencionados. Em Meghalaya, os serviços de mensagens de texto também foram suspensos.

Para conter a situação, o governo indiano enviou tropas e fechou a internet - uma medida que a Organização das Nações Unidas (ONU) condenou no passado, chamando de violação dos direitos humanos.

Padrão de comportamento

O Access Now, um grupo ativista de direitos digitais, informou, no início deste ano, que 134 dos 196 cortes de sinal de internet documentados em 2018 vieram da Índia. De acordo com o Internet Shutdowns, um serviço operado pelo grupo de advocacia digital Software Law and Freedom Center, de Nova Déli, houve mais de 90 casos documentados de paralisações da Internet na Índia somente este ano.

Em Jammu e Caxemira, o governo indiano cortou a Internet por 133 dias depois de retirar dos muçulmanos - maioria na região - a autonomia dos estados.

Fonte: TechCrunch

terça-feira, 21 de maio de 2019

Chineses fazem campanha contra o Android e apoiando a Huawei após suspensão


A briga entre Google e Huawei, que resultou na suspensão da licença do Android para dispositivos da fabricante de smartphones, fez com que a população chinesa se manifestasse a favor da companhia local — iniciando uma campanha contra o sistema operacional e até fazendo pouco caso do banimento dos Estados Unidos.

A informação é do What's on Weibo, que compila novidades publicadas na rede social chinesa Weibo, uma das mais populares do país. De acordo com a página, a maior parte dos fãs afirma que não vai abandonar a marca e espera que ela compre essa briga, virando totalmente independente dos serviços norte-americanos. Até o momento, serviços de pós-venda e atualizações de segurança continuam garantidos. 

A hashtag "A Huawei não precisa confiar na América para seus chips" e "Sistema operacional próprio da Huawei, o Hong Meng" bombaram nesta segunda-feira (20), indicando que chineses querem manter o smartphone mesmo com outro sistema — que estaria em desenvolvimento como um plano B há alguns anos, já prevendo algum tipo de proibição.

Vale lembrar que vários serviços da Google já são censurados ou bloqueados na China, o que significa que muita gente por lá já não é tão acostumado assim com os aplicativos nativos do Android.

 

"Orgulho nacional"

Já na rede social Douyin, equivalente ao TikTok, muitos vídeos de apoio foram encontrados, inclusive discursos de um gerente da Huawei. "Alguns de meus amigos estão pensando em comprar um iPhone e eu acho isso vergonhoso" e "Eu vou apoiar incondicionalmente os produtos produzidos domesticamente. Vai, Huawei!" são alguns dos comentários encontrados por lá.

Por outro lado, usuários de fora da China estariam preocupados com a falta de suporte.

Além disso, Intel e Qualcomm também suspenderam acordos com a fabricante no fornecimento de processadores.


quinta-feira, 25 de abril de 2019

Motoristas da Uber planejam grande greve para dia da IPO da empresa



O dia 8 de maio será uma data marcante para a Uber — para o bem ou para o mal. O dia não só marcará a oferta pública inicial (IPO) da empresa na Bolsa de Nova York, mas também uma greve que vem sendo planejado por muitos motoristas de sete grandes cidades dos EUA.

Segundo representantes da classe trabalhadora, os motoristas alegam que a Uber vem encolhendo seus pagamentos, além de não oferecer benefícios ou segurança relacionados a trabalho. Também reclamam de não terem voz contundente nas opiniões refletidas pela empresa e acusam a Uber de falta de transparência para com eles.

A greve vem sendo organizada por diversos grupos de motoristas online e traz respaldo de diversas entidades trabalhistas. Segundo as informações divulgadas, motoristas de São Francisco, San Diego, Los Angeles, Chicago, Minneapolis, Filadélfia e a capital Washington devem se juntar ao movimento de protesto, que paralisará os serviços prestados à Uber por até 12 horas.

“Nós queremos um salário pelo qual se possa viver”, disse o motorista e um dos organizadores, Mostafa Maklad, ao Gizmodo.

“A maioria dos motoristas de São Francisco são forçados a trabalharem pelo menos 70 a 80 horas por semana para poder sobreviver na cidade. Custos de moradia aumentam, assim como preços na gasolina, comida… Tudo está ficando mais caro para se viver aqui. Nós temos que dirigir mais e mais, lidar com problemas de saúde e estresse, mas a Uber nem liga. O que ela está fazendo é reduzir o pagamento dos motoristas”.

A Uber não respondeu a pedidos de comentário, tampouco se reuniu com os organizadores da greve. A expectativa da empresa é de arrecadar algo próximo da marca de US$ 10 bilhões em sua oferta inicial.

Greves de grande escala estão sendo organizadas por motoristas em pelo menos sete cidades para o mesmo dia em que Uber realizará sua IPO (Imagem: Reprodução/Gizmodo) 

Estudos diversos já publicados online estimam que um motorista da Uber nos EUA ganha, em média, entre US$ 9 e US$ 14 por hora (algo em torno de R$ 35 e R$ 55, ajustado à cotação de hoje). Entretanto, a Uber já disse em ocasiões passadas que motoristas da empresa nos EUA chegam a ganhar aproximadamente US$ 90 mil por ano.

A estrutura organizacional de motoristas da Uber pegou muitos analistas de surpresa: isolados e trabalhando por conta, ninguém esperava que entidades de cunho trabalhistas fossem formadas ao redor do app de caronas.

Entretanto, a motorista e organizadora Rebecca Stack Martinez disse que toda oportunidade é aproveitada para promover essas entidades improvisadas:

“Quando estou em um aeroporto, por exemplo, vejo que a maioria dos motoristas saem dos carros para esticar as pernas, diante de um clima ameno. Eles se reúnem entre si para reclamar das corridas, frustrações e falta de auxílio da Uber. Essa é uma oportunidade para que eu entre na conversa e diga ‘Ei, eu sei bem do que você está falando, essas são algumas organizações que podem lhe ajudar’”.

No Brasil, a realidade não é diferente: em São Paulo, por exemplo, existe a Amasp (Associação dos Motoristas de Aplicativos de São Paulo), presidida por Marlon Luz. Ele, além de motorista da Uber em tempo integral, também conta com canais no YouTube, onde publica dicas para quem quer ser motorista pela empresa. Entretanto, agregações em larga escala e greves de maior porte ainda são desconhecidas por aqui.

A situação nos EUA vem escalando de tal forma que, mês passado, um funcionário da Uber escreveu uma carta anônima, publicando-a em apoio aos grevistas: “As greves convocadas pela Rideshare Drivers United [RDU, uma das associações organizadoras da greve nos EUA] no sul da Califórnia; e pela Gig Workers Rising [outra entidade] em São Francisco são um sinal de profunda frustração que muitos motoristas de apps de carona compartilhada sentem”, disse o autor. “Enquanto executivos de tais aplicativos continuam a receber vastas remunerações e pacotes de benefícios e funcionários internos esperam uma IPO bem-sucedida tanto para a Uber quanto para a Lyft (...), [enquanto] os motoristas são ‘comprimidos’ a fim de oferecer as ofertas iniciais de capital aos seus investidores”.

Fonte: Gizmodo


quarta-feira, 6 de março de 2019

Usuários pedem atitude da Valve sobre jogo com violência contra a mulher



Usuários da Steam estão exigindo uma atitude da Valve em relação a um game chamado Rape Day, que, conforme o próprio título faz questão de demonstrar, é voltado para a realização de atos de violência sexual contra as mulheres. O jogo é descrito como uma visual novel que permite ao jogador escolher a atitude do protagonista em cada situação.


O título teria lançamento previsto para abril, mas a pré-venda ainda não está aberta. Apesar de só ter chamado atenção no último final de semana, a página de Rape Day estaria disponível na Steam desde meados de fevereiro, com a desenvolvedora Desk Lamp citando em detalhes explícitos algumas de suas ideias para o título e o tipo de conteúdo que será abordado nele.

De acordo com os responsáveis pelo game, ele conterá cenas em que jogadores podem ofender verbalmente, estuprar ou matar mulheres, além de momentos de violência contra crianças, incesto e necrofilia. Rape Day teria 500 imagens estáticas e mais de 7 mil palavras de texto para acompanhá-las, permitindo que os jogadores façam escolhas para levar a trama adiante.

A presença do game e das discussões abertas sobre seu conteúdo levaram usuários a questionarem a Valve sobre o título. A empresa não se pronunciou oficialmente sobre o assunto, mas, em seus termos de uso, proíbe a publicação de games que violem a legislação dos locais em que estão disponibilizados ou que tragam atos de exploração infantil, além daqueles que tentem incitar o jogador a cometer crimes ou sejam meras “trollagens”.

São todos termos violados por Rape Day, mas há quem argumente que, em seu cerne, o título não violou normas no conteúdo que foi exibido até agora. Isso porque, por mais que se posicione contra a publicação de conteúdo dessa categoria, a Steam não proíbe a listagem de games que reflitam atos ilegais. De acordo com a empresa, todos os títulos passam por um processo de revisão antes de serem publicados, mas isso se refere apenas ao funcionamento da página e suas informações, não ao conteúdo dos jogos em si.

Resta a dúvida, então, sobre como Rape Day foi aprovado na mesma plataforma que suprime palavras como “estupro” em postagens de seus fóruns e comunidades. Como dito, a companhia não se pronunciou sobre o assunto, enquanto a Desk Lamp já disse que, caso a página do game seja retirada do ar, o desenvolvimento continuará, com o jogo sendo lançado a partir do site oficial da produtora ou por meio de outros sistemas de distribuição que o aceitem.

Fonte: EurogamerSteam