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quinta-feira, 9 de maio de 2019

Brasileiro é acusado de manter um dos maiores mercados negros na internet



A Europol (órgão de segurança ligado à União Europeia) vem liderando as polícias locais de países membros durante as ações da Operação “Dark Web Team”, que tem como objetivo desmantelar lojas online ilegais da dark web, a parte "criminosa" da deep web. Na última segunda-feira (06), a polícia alemã prendeu os três supostos administradores do Wall Street Market, possivelmente a segunda maior loja online ilegal do mundo.

Além das prisões, segundo o Times of Israel, um brasileiro foi acusado de gerenciar um dos maiores mercados negros na Dark Web, chamado "Wall Street Market". O mercado contava com cerca de 5,5 mil vendedores e mais de 1 milhão de contas para consumidores. Sua identidade não foi revelada.


Essa parece ser a última ação da operação DWT, da Europol, que também contou com prisões na Finlândia, com a derrubada de uma loja conhecida como Silkkitie ou Valhala, e nos EUA, onde a polícia prendeu dois traficantes de drogas de alto nível. Na Alemanha, a polícia ainda confiscou os servidores do portal e cerca de US$ 615 mil, além de uma grande quantidade de criptomoedas, como Bitcoin e Monero.

Fonte: Unsplash/Nahel Abdul Hadi

Combate ao cibercrime

A polícia vem realizando ações semelhantes nos últimos anos. Essas lojas ilegais funcionam através da rede Tor e oferecem drogas, malwares e todo tipo de produto proibido por lei. Em alguns casos, a polícia passa meses estudando o funcionamento do site, mesmo já tendo prendido seus donos, para poder chegar aos vendedores e compradores.

No caso do Wall Street Market, os donos já estavam abandonando a plataforma, talvez temendo serem pegos. De acordo com a ZDNet, os administradores estavam aplicando calotes em alguns vendedores para encerrar o site logo em seguida e tentar se esconder da polícia. Eles devem ter percebido a aproximação das autoridades após o fechamento do Dream Market, que era a maior loja desse tipo antes de cair, o que causou uma enxurrada de migrações de clientes para o WSM. A polícia deu início à expedição dos mandados de busca e apreensão assim que os donos do site começaram a roubar os vendedores.

A Europol informou que o Wall Street Market tinha 5,4 mil vendedores de produtos ilegais e mais de 1,15 milhão de clientes.

Fonte: THE VERGE

quinta-feira, 7 de março de 2019

Protótipos de iPhones são vendidos a hackers no mercado negro



As constantes citações do iPhone como um aparelho seguro e confiável para seus usuários levaram à criação de um verdadeiro mercado negro de protótipos semidesbloqueados, com softwares ainda em fase de desenvolvimento e que permitiriam a hackers descobrirem falhas de segurança no sistema operacional. Os modelos variam de valor de acordo com o nível de abertura e atualização, com preços que vão de US$ 1.800 a US$ 20 mil.

Uma reportagem do site Motherboard revelou o funcionamento desse comércio ilegal de dispositivos, desviados ainda durante as fases de produção. Eles podem ser protótipos de modelos lançados mais tarde no mercado ou dispositivos já com design final, mas sem as atualizações de segurança necessárias para que saiam das lojas. E, assim, facilitam a vida tanto de criminosos quanto de especialistas na busca por falhas na raiz do iOS.

As chamadas vulnerabilidades zero-day são aquelas desconhecidas pela fabricante de um software e que passam a ser exploradas pelos hackers, fazendo com que uma empresa ou desenvolvedor tenha “zero dias” para liberar uma atualização. São, também, vulnerabilidades presentes no próprio sistema operacional, muitas vezes mitigadas por camadas extras que, no caso dos smartphones vendidos no mercado negro, ainda não existem.

Nesse comércio irregular, modelos desatualizados ou com falhas conhecidas, bem como versões mais recentes do celular da Apple, são os mais caros. Eles também precisam ser pareados a um computador com um cabo próprio, que custa US$ 2 mil, permitindo acesso à raiz do sistema operacional e a visualização de códigos e linhas de comando.

iPhones semidesbloqueados exibem cabo próprio, com investimento de milhares de dólares propiciando a descoberta de falhas de segurança (Imagem: Motherboard)

De acordo com a reportagem, boa parte dos modelos vendidos no mercado negro possuem etiquetas ou outras indicações de que sua origem foram as linhas de montagem da Foxconn, uma das principais parceiras da Apple na fabricação de iPhones. E, pior ainda, a própria Maçã estaria ciente de que tais unidades estariam circulando por aí, mas não teria tomado atitudes além de intensificar a segurança em suas fábricas e implementar softwares de proteção mais rapidamente para dificultar o trabalho dos hackers.

E por mais que a denúncia seja grave e represente grande risco de segurança para a empresa e seus clientes, ela termina com uma nota positiva. Especialistas entrevistados pelo Motherboard apontam para o fato de que a presença livre de aparelhos semidesbloqueados no mercado permite que tanto hackers maliciosos quanto voltados para intensificar a segurança tenham acesso aos segredos mais íntimos do iOS, algo que, no final das contas, acaba levando a indústria para a frente.

Por mais que a Apple não tenha se pronunciado sobre o caso oficialmente, ela própria possui uma divisão apenas com hackers contratados para colocarem seus sistemas à prova. Eles também estão em contato com essa comunidade “alternativa”, se podemos chamar assim, o que faz com que uma falha descoberta de forma irregular possa ser, rapidamente, solucionada de maneira oficial. Não é como se a revelação fosse algo tranquilo, mas ao contrário de outras falhas divulgadas anteriormente, ela não parece representar o fim do mundo.

Fonte: Motherboard