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terça-feira, 21 de julho de 2020

Febre não deve ser usada como indicador de covid-19, diz estudo


A checagem de temperatura não deve ser utilizada para identificar pessoas com covid-19, indica estudo. Durante a pandemia, essa prática se tornou comum em diversos lugares públicos, como aeroportos, já que a febre é um dos sintomas da doença.

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos recomendaram que esse procedimento fosse realizado também nas empresas, para conferir diariamente se algum funcionário estaria contaminado; no entanto, pesquisadores agora apontam que a estratégia é ineficaz. "Não há nenhum dado que demonstre que isso previne transmissões [do vírus Sars-CoV-2]", disse Eric Topol, vice-presidente-executivo da Scripps Research, instituição estadunidense de pesquisa médica.

A ação ficou comum no começo dos anos 2000, quando a síndrome respiratória aguda grave (Sars) apareceu. Na época, a febre foi considerada um indicador confiável, já que cerca de 86% dos contaminados apresentavam esse sintoma. "As verificações de temperatura são baratas, práticas e rápidas de executar e realizaram boas triagens para o Sars 1 em 2002 e 2003", disse a pesquisadora Mara Aspinall, especialista em diagnósticos biomédicos na Universidade Estadual do Arizona, ao site Popular Science.

Febre não é indicador de covid-19

(Fonte: Unsplash)

Aspinall destaca que existem diferenças fundamentais entre a covid-19 e a Sars que "tornam as verificações de temperaturas quase inúteis desta vez". Os dados atuais sugerem que menos da metade das pessoas que contraem o Sars-CoV-2 desenvolve febre. Os assintomáticos, sobretudo jovens, e os grupos de risco não costumam apresentar esse sintoma, e mesmo que essas pessoas eventualmente tenham febre já  são contagiosas antes de seus picos de temperatura.

A pesquisadora ainda lembra que "existem muitas outras doenças que causam febre, tornando esse teste de triagem impreciso", principalmente durante o outono e o inverno, quando as infecções respiratórias ficam mais comuns.

segunda-feira, 18 de maio de 2020

Coronavírus: profissionais da saúde enfrentam síndrome de Burnout

Os números relacionados ao coronavírus no Brasil não param de crescer. Até este domingo (17), foram registradas 15.776 mortes provocadas pela covid-19, além de confirmados 236.131 casos da doença em todo o país. Entre os infectados, estão aqueles que lutam na linha de frente contra a condição: médicos e enfermeiros.

O Ministério da Saúde divulgou na última quinta-feira (14) que o Brasil tem 31.790 trabalhadores da área contaminados – e as suspeitas são de que quase 200 mil deles estejam com a doença. Entretanto, esse não é o único perigo, já que a síndrome de Burnout é uma realidade entre eles.

Em artigo publicado no periódico Anesthesia & Analgesia, o Dr. Farzan Sasangohar, professor assistente do Hospital Metodista de Houston, afirma que médicos e enfermeiros norte-americanos estão enfrentando Burnout ocupacional e fadiga devido ao estresse causado pela pandemia. E não é para menos: turnos mais longos, perdas constantes de vidas, falta de equipamentos de proteção individual e treinamento inadequado para uso dessa aparelhagem os tornam vulneráveis a todo tipo de questionamento e, claro, medo.

Além da insegurança quanto à exposição à doença e do receio de contaminação de familiares, muitos deles tiveram de interromper procedimentos eletivos e foram demitidos ou tiveram suas horas reduzidas. 
Insegurança é a principal causa do esgotamento mental de profissionais da saúde. 
Fonte:  Pixabay 

Condições insustentáveis

Voltando ao Brasil, uma reportagem publicada no G1 mostra que enfermeiros e técnicos de enfermagem que trabalham no Hospital de Campanha do Maracanã, Zona Norte do Rio de Janeiro, foram colocados para dormir em colchões no chão – sendo algo considerado desumano pelos profissionais.

Podem ser avistados, de acordo com a reportagem, mofo e falta de luz no local. Além disso, não há colchões para todos. “Enquanto você tem médico dormindo no alojamento com cama, televisão e ar condicionado, as imagens mostram o que fizeram com a equipe de enfermagem. Dormindo no chão, ao relento, em um local insalubre e jogado às traças”, denuncia um dos entrevistados. “Eu só quero falar que depois vai ter o afastamento de um monte de profissionais por pneumonia, por covid. Aí vão falar que a gente não se paramentou corretamente, mas o colchão está no chão”, complementa outro.

A Secretaria de Estado de Saúde afirmou que a situação é “inadmissível” e afirmou que vai notificar a organização social responsável pela unidade, que explicou: “Houve um erro de preparação para atender esse tipo de demanda que não se repetirá. A preocupação maior naquele momento foi com o treinamento dos colaboradores. É importante frisar que as imagens não se referem a algo recorrente, foi um problema pontual já contornado”.

Mesmo que haja alguma resolução, o panorama já traz uma ideia de como as condições psicológicas destes profissionais são afetadas – e de que, nesses casos, nada é tão simples. “A pandemia da covid-19 amplificou um problema já existente em nossos sistemas de saúde e está expondo as implicações nocivas do esgotamento de profissionais”, afirma Sasangohar. 
Falta de equipamentos preocupa aqueles que atuam na linha de frente. 
Fonte:  Pixabay  

Um eterno aprendizado

Existe certa dificuldade de caracterizar o chamado Burnout. Entretanto, o consenso é de que se trata do resultado de um processo prolongado de tentativas de lidar com determinadas condições de estresse, ocasionando esgotamento emocional e escassa realização pessoal.

Dor de cabeça, enxaqueca, cansaço, sudorese, palpitação, pressão alta, dores musculares, insônia, crises de asma e distúrbios gastrintestinais são manifestações físicas que podem estar associadas à síndrome. Devido a isso, são comuns ausências no trabalho, agressividade, isolamento e mudanças bruscas de humor, além de irritabilidade, dificuldade de concentração, lapsos de memória, ansiedade, depressão, pessimismo e baixa autoestima.

De acordo com a Dra. Bita Kash, “minimizar riscos ocupacionais é a ação mais importante para assegurar que profissionais da saúde estejam totalmente preparados e seguros para enfrentar o coronavírus. Para isso, é preciso atender as solicitações de equipamentos e minimizar incertezas por meio de informações claras e alinhadas. 
Mesmo pequenas adaptações podem fazer a diferença. 
Fonte:  Pixabay 

Por isso, os pesquisadores adotaram uma série de medidas no hospital em que atuam (Hospital Metodista de Houston) e as elencaram no estudo, já que respostas positivas foram identificadas com as mudanças. Tais recomendações podem auxiliar na preparação para futuras pandemias. Veja quais são:
  • Desenvolver guias direcionados às indústrias responsáveis pela produção de equipamentos para que adotem transições ágeis para o fornecimento de insumos;
  • Estabelecer planos nacionais e regionais de minimização de desastres para auxiliar a reduzir o tempo de fornecimento de equipamentos e testes;
  • Distribuir número adequado de testes e EPIs;
  • Treinar profissionais da saúde para gerenciamento de desastres;
  • Reduzir restrições de atuação de indivíduos licenciados em outras jurisdições;
  • Criar uma força-tarefa que inclua esses indivíduos;
  • Utilizar dispositivos inteligentes para monitorar a saúde dos profissionais, tanto mental quanto física.
“Através das respostas à covid-19, podemos aprender muita coisa. Em nossa abordagem, utilizamos sistemas multidisciplinares que proporcionam conhecimento não sobre falhas ou atalhos, mas também sobre adaptações bem-sucedidas e intervenções improvisadas nos níveis individuais e coletivos que reforçam nossa resiliência”, finaliza Sasangohar.

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Ataque de pânico pode 'imitar' sintomas da covid-19

O isolamento social proposto como uma das soluções para frear a pandemia do novo coronavírus, embora seja uma medida de extrema importância, pode contribuir para o aumento de alguns problemas psicológicos — incluindo ataques de pânico.

Mesmo que alguém não tenha sido infectado pela covid-19, ter um ataque de pânico pode fazer com que o indivíduo experimente sintomas parecidos com os dessa doença (e os quais a quarentena tem a pretensão de protegê-lo), principalmente em relação à falta de ar.

Se alguém se deparar com uma situação como essa e precisar de ajuda imediata, o recomendado é ligar para o serviço de saúde emergencial de sua cidade. Agora, se o indivíduo sente dor no peito, falta de ar e calafrios, e esses sintomas surgiram subitamente, o mais provável é que tenham sido desencadeados devido ao medo e à ansiedade. Nesse caso, a pessoa pode utilizar algumas estratégias para se sentir melhor.

Como amenizar a falta de ar durante um ataque de pânico

Durante um ataque de pânico, as pessoas tendem a respirar muito rápida e superficialmente, o que diminui a absorção de oxigênio pelo organismo e causa a falta de ar. Veja algumas dicas de como amenizar as crises.

  • Estabilize a respiração: deite-se e faça um exercício de respiração que consiste em contar até quatro durante a inspiração e fazer uma pausa, em seguida realizar a expiração e fazer outra. Nas pausas, também há a contagem até quatro.
  • Não saia da rotina: se você já sabe que sofre de ansiedade, provavelmente já tem seus próprios métodos de como amenizar os sintomas. Não deixe que acontecimentos ruins quebrem a sua rotina de mecanismos para lidar com o problema.
  • Tenha bons hábitos de saúde: alimente-se bem, tenha uma boa noite de sono, mantenha-se em contato com os entes queridos e evite se sobrecarregar de notícias.
  • Procure tratamentos alternativos: nem sempre um tratamento que parece óbvio e funciona com "todo mundo" será útil para você. Compreender a existência dessa possibilidade é importante na busca de tratamentos menos comuns, como cuidar de plantas, ler, pular corda etc.
  • Não se preocupe com o que não pode mudar: muitas pessoas entram em pânico por focar em problemas que elas não podem resolver. Você não pode curar todas as pessoas infectadas com a covid-19, mas pode espalhar boas práticas de higiene que podem ajudar a conter a disseminação da doença.

Embora algumas dessas dicas pareçam óbvias, grande parte das pessoas que sofrem de ansiedade simplesmente acabam esquecendo-as. Por isso, relembrá-las é tão importante.

Fonte:Pop Sci