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terça-feira, 13 de agosto de 2019

Descoberto 'Júpiter recém-nascido' abrindo espaço em maternidade planetária


Um time de astrônomos conseguiu observar um exoplaneta “recém-nascido” formando espaços no disco protoplanetário de sua estrela – criando o que, visivelmente, lembraria um sol com anéis. O jovem mundo, um gigante gasoso com o dobro do tamanho de Júpiter, foi descoberto orbitando uma estrela conhecida como HD 97048, na Constelação de Camaleão, localizada a 603 anos-luz de distância, e esta é a primeira vez que os cientistas conseguiram mostrar esse tipo de perturbação criada por planetas.

Maternidades planetárias

Os discos protoplanetários, caso você nunca tenha ouvido falar neles, consistem em regiões compostas por fragmentos, poeira e gás cósmicos que funcionam como uma espécie de maternidade planetária – uma vez que o material contido nesses discos acaba colidindo e se aglomerando gradualmente até formar planetas. 

Disco protoplanetário situado ao redor da estrela HD 143006 (Fonte: ALMA / ESO / NAOJ / NRAO / S. Dagnello / Reprodução)

Contudo, como essas maternidades planetárias costumam ser encontradas ao redor de estrelas jovens – e, portanto, superbrilhantes e ativas –, não é nada fácil identificar exoplanetas nesses locais, já que a luz emitida por esses astros dificulta a observação. Esse, aliás, é o caso da HD 97048 e, por isso, em vez de focar as buscas em possíveis mundos, os astrônomos tentaram uma abordagem diferente.

De acordo com Jackson Ryan, do site C|Net, os cientistas decidiram procurar por bandas desprovidas de material no disco protoplanetário ao redor da HD 97048 – e adivinhe! Eles encontraram o recém-nascido gigante abrindo espaço na maternidade planetária e usaram uma analogia bem simples para explicar a descoberta.

Interferência

Segundo os astrônomos, é como se tivéssemos um fluxo de água, colocássemos um obstáculo em seu caminho e esse objeto interrompesse a correnteza, criando uma perturbação. 

Só que, no caso, em vez de um rio, estamos falando de uma colossal nuvem cósmica e, no lugar de uma pedra (ou coisa do tipo), temos um baita de um mundão. Aliás, os anéis de Saturno são resultado de uma dinâmica semelhante – só que as perturbações são geradas pelas luas do planeta. 

(Fonte: ALMA / ESO / NAOJ / NRAO / S. Dagnello / Reprodução)

Mais especificamente, os cientistas identificaram dois grandes anéis circundando a HD 97048 com um imenso espaço vazio entre eles – que é onde o Júpiter recém-nascido foi encontrado – e observações e simulações revelaram que essa banda foi criada pelo exoplaneta.

Essa técnica consiste em uma alternativa aos métodos normalmente usados na busca de exoplanetas e parece ser eficiente para encontrar mundos que se encontram em órbitas mais distantes de seus sóis. Ela foi empregada pelo mesmo time em uma ocasião anterior – para a observação de outra estrela, a HD 163296, que resultou na identificação de diversos mundos – e poderá ser empregada no futuro para a descoberta de novos candidatos e para ajudar os astrônomos a compreender melhor os processos envolvidos na formação de sistemas planetários.


sábado, 27 de julho de 2019

Via Láctea ‘engordou’ após ‘canibalizar’ vizinha há 10 bilhões de anos


Como você deve saber, a Via Láctea está em rota de colisão com a galáxia de Andrômeda e é esperado que o choque ocorra dentro de alguns bilhões de anos. No entanto, essa não será a primeira vez que o nosso endereço no cosmos se envolve nesse tipo de “acidente”. No ano passado, um estudo revelou a existência de uma grande quantidade de estrelas que se movem com direção diferente à das demais estrelas que compõem a Via Láctea, o que só poderia ser explicado por uma trombada galáctica. Mas não se tinha ideia de quando isso teria acontecido.
(Fonte: Newsweek / Reprodução)

Comilona

De acordo com Jackson Ryan, do site C|Net, uma nova pesquisa revelou mais dados sobre essa colisão – e apontou que, no choque, a Via Láctea não só “canibalizou” a outra galáxia e “engordou” com o aporte que recebeu de estrelas, gases e poeira cósmica que “devorou” da coleguinha, como estabeleceu quando, mais ou menos, esse evento se deu.

O choque ocorreu entre a Via Láctea e uma galáxia menor, conhecida como Gaia-Enceladus, há cerca de 10 bilhões de anos, quando a nossa era apenas uma “criança”. Os astrônomos chegaram a esse período depois de analisar uma imensa quantidade de dados para determinar as idades das estrelas que formam a nossa vizinhança cósmica, especialmente das que se encontram no halo – isto é, na região que circunda a Via Láctea – e no disco galáctico, que é onde reside a maior parte das estruturas que formam seus espirais.
(Forbes / ESA / Hubble e NASA / Reprodução)

A datação também permitiu que os astrônomos estabelecessem que as duas galáxias – a nossa e a Gaia-Enceladus – estavam evoluindo em ritmos distintos, sendo que a Via Láctea estava amadurecendo mais depressa. Mas a colisão entre as duas fez com que a menor parasse de evoluir (obviamente), com que estrelas presentes na nossa fossem lançadas ao halo e que, com a incorporação da Gaia-Enceladus, houvesse uma maior disponibilidade de material para a formação de novas estrelas no nosso disco galáctico.

Conforme explicou Jackson, mais que apenas definir um período para a canibalização galáctica e engorda da Via Láctea, o estudo permitiu que os astrônomos obtivessem mais informações sobre como a nossa galáxia se formou e servirá de base para outras tantas pesquisas.