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terça-feira, 19 de novembro de 2019

WhatsApp baniu 400 mil contas no Brasil durante eleições de 2018

O WhatsApp enviou um documento oficial para o senador Angelo Coronel, presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito Mista (CPMI) das Fake News, em andamento atualmente. A empresa recebeu uma solicitação dos políticos para enviar informações a respeito das atividades do aplicativo no Brasil durante o período eleitoral de 2018.

Segundo a empresa, foram banidas 400 mil contas no Brasil entre 15 de agosto e 28 de outubro de 2018 — datas que marcaram início da campanha de rua e final do segundo turno, respectivamente. Os motivos variam, mas todos envolvem violação aos Termos de Serviço e práticas como "suspeita de uso de robôs, disparo em massa de mensagens e disseminação de fake news e discurso de ódio".

O documento foi enviado na semana passada, mas somente ontem (18) foi anexada no sistema da CPMI. Você pode ler a carta na íntegra clicando aqui (procure pelo DOC 021).

A lista

Além disso, o WhatsApp encaminhou informações de algumas contas banidas, incluindo o número de telefone dos usuários, mas esse documento está restrito ao uso pelos políticos participantes e pelos tribunais eleitorais.

O problema? Esses dados estão bastante incompletos, já que a empresa até precisa armazenar dados criptografados de acesso em respeito ao Marco Civil da Internet e entregá-los em caso de solicitação judicial. Entretanto, como já se passaram mais de seis meses da data, os registros já foram apagados — exceto por alguns dados que foram solicitados por tribunais eleitorais após as eleições.

O mensageiro se defende

No documento, o WhatsApp garante que "tem capacidade avançada de detecção de abuso" por meio de machine learning e adicionou recursos que limitavam o compartilhamento de notícias falsas, como o limite de encaminhamento de mensagens e a possibilidade de recusar adições em grupo — algo só adicionado recentemente.

Além disso, a empresa afirma que não pratica censura, já que se baseia em comportamentos suspeitos, independente do lado. "Como o WhatsApp é uma plataforma criptografada, nossas decisões contra atividades automatizadas e de envio de mensagens em massa são baseadas no comportamento das contas ao invés do conteúdo de mensagens", diz o documento.

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

EUA começam deportações devido a conteúdo nas redes sociais


Desde o dia 1º de junho, quando o governo dos Estados Unidos anunciou que redes sociais seriam um fator determinante para o pedido de entrada no país, muita gente não levou a sério. Agora, começam a ser deportados os primeiros visitantes pegos na revista de dispositivos eletrônicos.

O site TechCrunch, que vem investigando o que acontece nos postos da aduana, descobriu o caso de Dakhil (nome fictício), um paquistanês de 37 anos que foi deportado, segundo o Departamento de Imigração americana, "devido às imagens depreciativas encontradas em seu telefone celular".


Segundo a apuração, Dakhil tinha o visto B1/B2, que permite ao portador fazer turismo e negócios no país. Ao chegar ao aeroporto George Bush, em Houston, Texas, foi abordado por um oficial de Imigração que perguntou os motivos da viagem aos EUA. Em seguida à revista de toda a sua bagagem, ele foi levado a uma saleta e submetido a um interrogatório de mais de 15 horas. Seus dispositivos eletrônicos e suas redes sociais (incluindo o WhatsApp) foram alvo de um pente fino.

Por causa de uma imagem de 2009 de uma criança morta em seu celular (de um compartilhamento familiar sobre sequestros de crianças em Karachi, sua cidade natal), Dakhil teve o visto suspenso e foi deportado, e o conteúdo de seu celular foi encaminhado à Força-Tarefa Contra Terrorismo do FBI.

Universidade mantém advogados a postos



Ismail Ajjawi (ao centro) teve seu visto renovado graças à pressão de organizações internacionais e ao time de advogados de Harvard. (Fonte: Twitter/Hamzah Raza)

O caso de maior repercussão, porém, foi do estudante palestino Ismail Ajjawi, de 17 anos, calouro da Universidade de Harvard, também noticiado pelo TechCrunch. Ele foi deportado em 28 de julho por conta de imagens recebidas em um grupo de WhatsApp. Graças à ação do grupo de advogados de Harvard, ele pôde voltar.

Desde 2015, a revista de dispositivos eletrônicos chegou a mais de 30 mil ao ano. O Congresso acusa a Imigração de não ter mandatos para fazer as buscas, e o governo alega que não precisa de um. Enquanto isso, a Justiça tenta determinar se vasculhar as redes sociais de visitantes é ou não constitucional.

Fonte: TechCrunch