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sexta-feira, 12 de junho de 2020

Descoberto truque para bloquear todos anúncios no YouTube

Um usuário do Reddit descobriu uma maneira de remover todos os anúncios do YouTube e também o paywall em sites de notícias e jornais. Se aproveitando de uma falha no nome do host, é possível acessar o conteúdo completo sem que o domínio para veicular os anúncios seja correspondido.

E, na realidade, a falha é incrivelmente simples. O usuário aponta que a única coisa que é preciso fazer, é adicionar um ponto na URL. Assim, o site em questão deixa de acessar os dados do servidor, de um domínio diferente, que são usados para veicular os anúncios (cross-origin resource sharing, ou 'CORS').
Por exemplo:
  • URL normal: https://www.youtube.com/watch?v=2O4K_tmZs1A
  • URL alterada: https://www.youtube.com./watch?v=2O4K_tmZs1A
A única alteração necessária na URL é utilizar ".com.", no lugar de apenas ".com". Mas, além de cortar o acesso dos sites aos anúncios, a mudança também corta o acesso aos cookies.

Desta forma, após começar a navegar com o "hack" ensinado no Reddit, a sessão do usuário deixa de ser válida – a menos que ele abra uma nova aba do site. Vale lembrar que o YouTube pode consertar a falha em breve normalizando o nome de host no navegador.

Legal ou não legal?

O YouTube, que é uma plataforma gratuita, é monetizado e gera renda aos criadores através de anúncios. Uma opção de monetizar e oferecer bons recursos é o YouTube Premium, que elimina os anúncios na plataforma e oferece mais alguns extras.

Aqui no Brasil, o Premium chegou em setembro de 2019 e dá a possibilidade de baixar vídeos para assistir offline; não exibe propagandas antes ou durante os vídeos; oferece o serviço YouTube Music e mais.

Mas, além do YouTube, o método também pode afetar sites de notícias e jornais que utilizam o paywall. Este método restringe o acesso a algum tipo de conteúdo, a menos que você seja assinante.

Existem outras maneiras que eliminam anúncios nos sites, como os bloqueadores. Por outro lado, a prática não é considerada das mais éticas, mas gera discussões sobre acesso a conteúdo. Especialmente tratando-se de informação.
Neste caso em questão, não se trata de uma forma ilegal de burlar os anúncios. A falha está no redirecionamento dos próprios sites e pode ser explorada de forma simples, até então.

Também é possível utilizar o mesmo método em smartphones. Basta abrir o navegador e acessar páginas na versão desktop, e depois adicionar o pontinho na URL.

Fontes:Reddit BGR

quarta-feira, 27 de maio de 2020

YouTube estava deletando comentários críticos do Partido Comunista da China

Frases em chinês que criticavam o Partido Comunista do país estavam sendo removidos automaticamente de vídeos no YouTube. Em resposta, a plataforma afirmou se tratar de um erro e que já começou a corrigi-lo.

Todos os comentários com as frases “bandido comunista” ou “partido de 50 centavos” eram deletados em cerca de 15 segundos em qualquer vídeo do YouTube. Em resposta ao questionamento do The Verge, a plataforma disse que está investigando as causas mais profundas do erro, sugerindo ainda que outros termos ainda podem ser afetados.

O termo “bandido comunista” é um insulto relacionado ao antigo governo da China; enquanto “partido de 50 centavos” está relacionado aos supostos usuários que desviam a atenção das críticas ao PCC para outro assunto. Cidadãos chineses acreditam que essas pessoas são pagas por US$ 0,50 por cada publicação online.
Descobriu-se que os comentários são removidos automaticamente devido a agilidade que eles somem da plataforma. Provavelmente, esses dizeres devem ter sido incluídos na lista de expressões ofensivas ou de spam. Outra prova disso é que o teor do comentário não importa, basta ter alguma das expressões descritas para ser removido rapidamente.

Complementando a justificativa, a Google afirma que tem dependido mais de moderadores automáticos devido a pandemia. Sendo assim, a plataforma pode se comportar indevidamente durante esse período.

Estranha “coincidência”

A remoção automática de comentários que criticam o Partido Comunista pode ser apenas uma coincidência. Ainda assim, sabe-se que a Google tenta se adequar ao mercado chinês há anos — e uma dessas medidas é acatando os desejos de censura do governo chinês.

Um desses exemplos é o Project Dragonfly, um projeto de ferramenta de pesquisa desenvolvido especialmente para a China. Nele, a Google aplicou todas as medidas de censura exigidas pelo governo chinês, para que pudesse entrar no mercado oriental.

Na época, a Google foi fortemente criticada por governos do mundo todo e até enfrentou críticas dos próprios funcionários. Em 2019, a companhia revelou que o projeto foi interrompido.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

YouTube Kids quase teve curadoria humana

O YouTube Kids passou muito perto de ter uma equipe destinada a fazer a curadoria de todos os  vídeos do aplicativo que é destinado a crianças. Um report divulgado pela Bloomberg deixou claro que essa era uma das ações pensadas pela empresa para contornar os problemas enfrentados em 2019.

Em setembro de 2019, a Federal Trade Commission (FTC ou, Comissão Federal de Comércio, em tradução livre) multou o Google em US$ 170 milhões por violar a privacidade de crianças no YouTube. É a maior penalidade civil já obtida pela comissão no caso de privacidade de crianças, superando a multa recorde de US $ 5,7 milhões contra o proprietário do aplicativo de compartilhamento de vídeos TikTok.

Depois disso, a plataforma passou a colocar a responsabilidade nos criadores de conteúdo, que devem designar se o vídeo teria sido produzido para crianças ou não, o que influencia a aparência dos anúncios em cada canal e na receita gerada por cada um.
Joseph Simons, presidente da Comissão Federal de Comércio, descreveu a multa ao Google como uma vitória significativa dos pais. Fonte: Anna Moneymaker/The New York Times

De acordo com o report, houve um momento em que a plataforma de vídeos considerou tomar o controle total do conteúdo divulgado para o público infantil. Uma equipe de 40 funcionários foi escolhida para o projeto chamado "Crosswalk", que seria uma maneira de guiar crianças pelas ruas do YouTube. Entre as propostas da equipe, estaria a supervisão de todos os conteúdos destinados a crianças de até 8 anos de idade. O objetivo seria garantir que nenhum conteúdo indesejável entre no feed de milhões de pequenos em todo o mundo.

Apesar de até um comunicado à imprensa ter sido produzido para divulgar a ferramenta, no último minuto a CEO do YouTube, Susan Wojcicki, voltou atrás. Ao fazer a triagem de todo o conteúdo divulgado por meio do YouTube Kids, a empresa estaria mais perto de ser tornar uma companhia de mídia e não uma plataforma neutra.
A CEO do YouTube Susam Wojcicki falou sobre segurança e privacidade durante encontro no Texas. Fonte: David Paul Morris/Bloomberg

Foi elaborado até um comunicado de imprensa no qual Wojcicki disse que moderadores profissionais verificariam cada clipe, de acordo com pessoas familiarizadas com os planos. No entanto, no último minuto, a CEO e seus principais deputados abandonaram o plano, disseram as pessoas, que pediram para não serem identificadas discutindo deliberações privadas.

Um porta-voz do YouTube negou que a ideia tenha sido recusada porque tornaria a empresa encarregada da programação, mas ela se recusou a comentar mais sobre a decisão. Em uma entrevista recente, Wojcicki deixou claro que seu esforço de moderação de conteúdo só vai até certo ponto, pois isso destruiria a essência do serviço.