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domingo, 16 de fevereiro de 2020

Alívio: NASA restaura comunicação com a Voyager 2

A cada 34 horas, a respiração dos técnicos e cientistas da NASA era suspensa até surgir, em uma das telas da sala de controle, a resposta a um comando enviado à Voyager 2. Depois de dias de tensão, a manobra mal-sucedida realizada pela longeva sonda foi revertida e a nave, agora a 18,5 bilhões de quilômetros de distância, voltou a se comunicar com a Terra.
A pane veio logo depois de a Voyager 2 receber o comando para girar 360° e, assim, calibrar um de seus instrumentos. Além de não fazer isso, a nave ainda manteve online os dois sistemas que mais consomem energia. O problema acionou uma proteção automática, que desliga todos os instrumentos científicos da sonda para economizar energia.

O desafio foi consertar a pequena espaçonave, hoje a que mais longe foi no espaço interestelar. A cada 17 horas, o sinal da Voyager 2 chegava, e um comando era transmitido – para ser recebido, em algum lugar já fora do sistema solar, 17 horas depois.

Tecnologia mais nova

Ondas de rádio enfraquecem à medida que percorrem grandes distâncias: o sinal captado das Voyager tem menos energia que uma lâmpada de geladeira. Por essa razão, as novas missões usarão lasers nos sistemas de comunicação.
Em 2013, cientistas da NASA transmitiram uma imagem da Mona Lisa da Terra para o Lunar Reconnaissance Orbiter na Lua, pegando carona em pulsos de laser que rastreiam a espaçonave. (Fonte: NASA/Divulgação)

A nova parabólica Deep Space Station-23 (DSS-23), construída na Califórnia, será integrada à Deep Space Network (DNS), a rede de antenas pelo mundo que captam sinais das inúmeras sondas hoje no espaço, como as Voyager 1 e 2 e a New Horizont. Mais duas serão instaladas na Espanha.

A DSS-22 usará um receptor capaz de captar feixes de lasers transmitidos por sondas no espaço profundo.A nova tecnologia será empregada nas próximas missões da agência espacial, como o retorno à Lua em 2024 e a tripulada à Marte, a partir de 2030.

Fontes:Inverse/ JPL/NASA

sábado, 1 de fevereiro de 2020

NASA desativa telescópio espacial Spitzer após 16 anos de serviço

A missão do telescópio espacial Spitzer chegou ao fim na última quinta-feira (30), quando os engenheiros da NASA o colocaram em modo de segurança, interrompendo todas as operações científicas realizadas por ele.

Lançado em 2003, o dispositivo fez parte do grupo de quatro telescópios espaciais operados pela agência espacial americana, juntamente com o Hubble, o observatório de raios x Chandra e o Compton, que tem a função de observar raios gama.

Entre diversas contribuições para a ciência, a sonda descomissionada estudou asteroides e cometas, descobriu um anel não identificado ao redor de Saturno, estudou a evolução das galáxias do universo antigo até hoje, a formação de planetas e estrelas e a composição da poeira interestelar.
Equipe responsável pela missão. (Fonte: NASA JPL-Caltech/Divulgação)

Mas o trabalho mais conhecido realizado pelo Spitzer certamente foi a descoberta de 7 exoplanetas do tamanho da Terra no sistema TRAPPIST-1, localizado a 39,6 anos-luz do nosso sistema solar, orbitando uma única estrela. Isso permitiu que os cientistas aprendessem sobre a densidade e a massa deles. Estudos posteriores sugerem que alguns deles podem ser até habitáveis.

Missão prolongada

Projetado inicialmente para coletar dados do espaço por 2 anos e meio a 5 anos, o equipamento acabou trabalhando muito mais tempo do que o esperado. Ele não foi desativado nem mesmo quando, em 2009, o suprimento de gás hélio para operar 2 de seus instrumentos se esgotou — a substância é essencial para mantê-lo resfriado, evitando que o calor emitido por ele atrapalhe o trabalho.

Mesmo descomissionada, a sonda ainda pode contribuir para futuras descobertas, uma vez que todo o seu arquivo de observações espaciais será disponibilizado a quem quiser acessá-lo.

O Spitzer será substituído pelo telescópio James Webb, cujo lançamento está previsto para acontecer em 30 de março de 2021.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Garoto de 17 anos descobre exoplaneta durante estágio na NASA

Embora muitos estagiários levem fama de não serem lá muito interessados, eis que surge uma notícia sobre um deles que não só não dormiu no ponto durante a sua experiência laboral, como fez algo completamente incrível! Estamos falando de um garoto de 17 anos chamado Wolf Cukier que, além de descolar um estágio na prestigiosa NASA, fez a proeza de descobrir um novo exoplaneta depois de somente 3 dias de trabalho! Agora, pense cá conosco, caro leitor... Quantos estudantes você conhece que podem incluir algo assim no currículo?

Culpa do estagiário

De acordo com Mike Wehner, do site BGR, Cukier é aluno da Scarsdale High School e foi aceito pela agência espacial para o programa de estágio – algo que não é fácil de se conseguir. Assim que começou as atividades, o jovem foi incumbido de vasculhar dados coletados pelo telescópio espacial TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite ou Satélite de Levantamento de Exoplanetas em Trânsito em tradução livre), cuja missão, como o próprio nome sugere, é o de observar estrelas e detectar variações em seu brilho para, desta forma, tentar identificar a existência de planetas.
(Fonte: BGR / NASA / Reprodução)

Pois, em seus 3 dias de estágio, Cukier estava estudando um sistema binário situado a 1,3 mil anos-luz de distância da Terra conhecido pela sigla TOI 1338 quando notou algo esquisito. Em sistemas desse tipo, as estrelas orbitam uma ao redor da outra e é comum observar eclipses – quando uma transita diante da sua companheira. No entanto, o estagiário percebeu algo mais estava rolando na área, uma variação no brilho que não condizia com o período orbital das estrelas.

A esquisitice identificada pelo estudante era um exoplaneta que ninguém havia observado antes – e que foi batizado de TOI 1338 b. Segundo Mike, o astro descoberto pelo estagiário tem dimensões semelhantes às de Saturno e orbita as duas estrelas ao mesmo tempo, algo jamais visto antes, e leva entre 93 e 95 dias para completar uma volta ao redor do sistema.
Olha o estagiário aí! (Fonte: The New York Times / Reprodução)

Não se sabe se Cukier ganhará mais espaço na NASA após essa façanha, mas com certeza ele causou uma ótima primeira impressão já nos primeiros dias de estágio! De qualquer forma, segundo Christine Hauser, do The New York Times, o garoto deve ingressar na faculdade em setembro próximo e pretende estudar astrofísica – e tudo indica que ele trilhará uma carreira de bastante sucesso e muitas descobertas.